Via 6 | O risco do capital de risco

Ouvi o seguinte diálogo de um amigo, que trabalha numa grande e conhecida startup de web 2.0:

- De onde vocês tiram dinheiro, se o serviço é gratuito e sem propaganda ?
- De investidores.
- E quando acabar ?
- Ah, quando acabar a gente pede mais.

É uma prática comum nos países ricos correr atrás de investimento assim que se tem um projeto na mão. E lá fora há bastante dinheiro disponível para viabilizar projetos que podem dar certo, ou não. Sites como o netvibes, que aparentemente não têm nenhum modelo de negócios bem definido, vivem do dinheiro dos investidores.

No Brasil não há tanto dinheiro pra isso. E eu penso que isso é bom. Sem dinheiro de investimento, somos obrigados a pensar desde o início em um bom modelo de negócios. Sem investidores, temos liberdade para mudarmos o foco, para fazermos tudo do nosso jeito, e para colocar o usuário em primeiro lugar, acima do retorno financeiro rápido.

A notícia é que o Via6 - um site de relacionamento profissional complementado pelo Rec6, o mais acessado dos digg-clones brazucas - acaba de receber um investimento de capital de risco da Confrapar, uma empresa de Belo Horizonte.

O livro getting real diz o seguinte sobre isso:

“A primeira prioridade de muitas empresas iniciantes é adquirir fundos de investidores. Mas lembre-se, se nos viramos para gente de fora para fundos, teremos que responder a eles também. Crescem expectativas. Investidores querem seu dinheiro de volta – e rapidamente. O fato triste é que dinheiro entrando nem sempre significa a construção de um produto de qualidade.

Dirija com recursos limitados e será forçado a contar com restrições mais cedo e mais intensamente. E isso é uma coisa boa. Restrições dirigem inovação.

Um mês ou dois fora das porteiras devem lhe dar uma boa idéia se você está em algo sólido ou não. Se estiver será auto-sustentável logo e não precisará de dinheiro externo. Se sua idéia estiver furada, é hora de voltar à prancheta de desenho. […] Planos de saída se tornam bem complicados quando investidores estão envolvidos.

Se estiver criando software apenas para fazer um dinheiro rápido, isso vai aparecer. Um retorno rápido é bem improvável. Então foque em construir uma ferramenta de qualidade que você e seus clientes poderão viver com por um bom tempo.”

Agora resta-nos acompanhar os rumos que a Via6 vai tomar, tendo que prestar contas aos investidores. Se o foco e o centro forem os usuários, o dinheiro poderá dar o fôlego necessário para tornar a Via6 uma grande empresa. Se o foco for desviado, pode ser uma triste tragédia. Torcemos que aconteça o melhor :)

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4 respostas para 'Via 6 | O risco do capital de risco'

  1. Techbits Diz:

    O Vale do Silício é aqui…

    Essa notícia é pra comemorar. O Via6, rede social voltado ao mercado corporativo, e o Rec6, site de notícias colaborativas, receberam há cerca de 1 mês um aporte da capital da Confrapar, investidora de capital de risco. Segundo matéria do IDGNow!…

  2. Marcelo Costa de Oliveira Diz:

    Olá Gilberto,

    Muito bom o seu post.
    Concordo plenamente com você.
    Sou um dos investidores da Confrapar.
    Pode ter certeza de que temos uma preocupação muito grande em não desvirtuar as empresas investidas.
    Todos os investidores da Confrapar são empreendedores também, ou seja, estamos no “lado branco da força”. ;-)

    [ ]s Marcelo

  3. O Risco do Capital de Risco, parte 2 » Prática Diz:

    […] alguns comentários muito relevantes sobre a postagem Via 6 | O risco do capital de risco. Há o comentário do Renato, diretor da Via6 e do Marcelo, um dos investidores da Confrapar, dando […]

  4. Caio Henrique Diz:

    Quais são as desvantagens do capital de risco????

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