O Risco do Capital de Risco, parte 2

Abaixo alguns comentários muito relevantes sobre a postagem Via 6 | O risco do capital de risco. Há o comentário do Renato, diretor da Via6 e do Marcelo, um dos investidores da Confrapar, dando suas opiniões sobre o caso específico.

Há também as opiniões do Marco Gomes e do Rodolfo Sirika, criadores do boo-box e do iJigg.com respectivamente, com suas opiniões sobre porque não aceitaram nenhuma proposta de investimento em seus negócios até agora.

Se você tem uma startup e está indeciso sobre procurar ou não dinheiro de capital de risco, estes depoimentos são inestimáveis. É grande, mas vale muito a pena. Conforme outros amigos comentarem sobre o assunto, faremos outras postagens. Acompanhe:


Marcelo, um dos investidores da Confrapar, que investiu na Via6:

“Pode ter certeza de que temos uma preocupação muito grande em não desvirtuar as empresas investidas. Todos os investidores da Confrapar são empreendedores também, ou seja, estamos no ‘lado branco da força’. ;-)”


Renato Shirakashi, diretor da Via6

“A busca por um capital de risco é um meio e não um fim. Abrir uma empresa pensando na entrada de um capitalista de risco como fim é meio passo para o fracasso. Agora existem sim planos bem arquitetados que só podem ser executados através de um alto investimento inicial. Nesse contexto, um capitalista de risco é importante. Não é a toa que foram necessários capitalistas de risco em quase 100% dos grandes players da web atuais.

Agora a entrada de capitalistas pode sim influenciar os rumos da empresa. Para melhor ou pior. Veja o caso do Google, uma empresa investida, mas que sempre manteve sua postura quanto ao usuário. Ao mesmo tempo, veja a postura tomada pelo Friendster.

Por fim, receber um investimento e pensar que seus recursos não são limitados com certeza é um erro. A entrada de capital desafoga em certo sentido, mas o rigor nos gastos e criatividade para contê-los e multiplicar o dinheiro é essencial”


Marco Gomes, criador do boo-box.

“Bem, nós já recebemos várias propostas de investimento para o projeto boo-box, porém, não aceitamos nenhum até agora.

O principal motivo é que não queremos prestar contas pra ninguém, tocamos o boo-box como um “sonho”, na maciota, sem estressar. Se aceitássemos, 200 mil, 600 mil, 1 milhão de reais de investidores precisaríamos nos estressar e nos comprometer com retorno. Já temos problemas demais em nossos trabalhos e freelas, não queremos mais dor de cabeça.

Lógico que pode chegar um ponto que não será possível continuar o desenvolvimento do boo-box na camaradagem, mas até lá vamos nos virar com nossas próprias pernas. A parte boa é que a idéia é tão simples que o custo com hospedagem é irrisório. O problema é conseguir mão-de-obra que queira trabalhar “na camaradagem” como tem ocorrido até agora.

Outro incentivo para nos mantermos “pobres” são os inúmeros textos de norte-americanos aconselhando que você evite investimento enquanto for possível. Como mostrado pelo Gilberto, até o Getting Real fala disso.

É isso, esses são os motivos de não termos venture capital até agora, apesar das várias propostas e conversas super excitantes que tivemos.

Não estou, de forma nenhuma, condenando quem recebe investimento, sei que, graças a Deus temos nossos empregos e temos o privilégio de não precisar viver de boo-box. Se precisássemos de dinheiro com certeza a figura seria bem diferente. Foram meus dois centavos. Aguardo mais comentários sobre o tema, afinal, não sou nenhum especialista em venture capital e start ups.”


Rodolfo Sikora, criador do iJigg.com

Background: Trabalhei sou sócio (com uma ínfima participação) e ainda sou consultor de integração da Inova Tecnologias, criadora do Gobits Reader entre outras coisas. A Inova é uma empresa que depois de 4 anos de existência recebeu um aporte de um VC (Darby Overseas) em 2000.

Sem sombra de dúvida posso dizer, por experiência, que o capital de risco é uma faca de dois gumes, muito mais pela forma como se aplica o dinheiro do que propriamente pelo fato de receber ou não o investimento.

Normalmente, e até aí não é novidade, estes fundos não compram a empresa inteira, eles compram de 20%~40% da empresa e contratualmente obrigam a pessoas chaves permanecerem na empresa por determinado tempo bem como obrigam condicionalmente com cláusulas resolutivas que parte do capital seja reinvestido na empresa.

Não pensem que é possível levantar dinheiro sem um plano de negócios, potanto não é bem assim: “quando acabar o dinheiro a gente pede mais”. Sem um bom plano de negócios vc não consegue capital de risco. Veja bem risco não significa burrice. Um investidor de risco procura opções com alta probabilidade, o risco consta apenas no fator de que a tecnologia evolui muito rápido e que a concorrência é muito forte.

Conseguir um aporte de um fundo desses não é simplesmente sinônimo de receber dinheiro, como eles investem em outras empresas eles possuem muitos contatos, e as vezes eles investem em você já planejando uma parceria com outra empresa com a qual já possuem certa influência.

Nem sempre é fácil botar em prática todas as idéias de uma startup, principalmente por questões financeiras. Aprecio imensamente o ponto de vista do Marco, e ascrescento apenas o seguinte em relação ao Boo-Box ou a qquer outro produto (como o próprio iJigg) que foi lançado simplesmente na camaradagem e em cima de horas vagas e um sonho:

Nossos sonhos são maravilhosos, ainda mais quando podemos realizá-los sem a obrigação de se ter que tirar um dinheiro dele, mas idéias boas são vistas por outras pessoas com uma visão meramente mercadológica e com finalidade lucrativa. Estas pessoas podem ter o dinheiro para imitar a sua idéia e aperfeiçoá-la com uma velocidade que você não possui. Sem falar que marketing é tudo, e marketing é caro. É importante sair em blogs e mídias alternativas, é, mas um anúncio na televisão vale muito mais do que aparecer em lugares virtuais.

Existe uma teoria a respeito da acreditabilidade de uma marca, de um produto e de um serviço. E é aí onde entra outro papel fundamental de estar sendo apoiado por um grande nome/fundo. Dois exemplos ilustrativos:

O iJigg não teria problemas com direitos autorais se uma gravadora fosse patrocinadora ou investidora nossa, sem contar que isto alavancaria a exposição do produto.
O Boo-Box, talvez conseguisse algo mais facilmente na submarino se tivesse um grande nome apoiando ele que tivesse influência no comércio on line, ou não um investidor, mas uma opinião de um grande comércio online falando que o boo box está trazendo muito lucro para a empresa.

Com um investidor, o problema é que vc passa a ter que apresentar resultados, seus custos aumentam, e se vc não tiver um bom administrador e preferencialmente um que peite os investidores vc terá mais problemas do que benefícios, mas de forma geral acredito que injeção de capital é mais benéfico do que maléfico.

Agora falando particularmente do iJigg.com, o que temos feito é recusar propostas de investimentos neste início pq o valor de mercado ainda é muito baixo e todo mundo vem com o papo: “ahh mas vocês só tem 2 mêses”
As propostas mais interessantes estão “on hold”, o que estamos tentando fechar são parcerias que não te compromete em termos societários e são baseadas em contratos mais limitados para ambas as partes.

Se as coisas fossem simples, eu diria que o ideal é:

  1. Enquando seu produto não for uma necessidade para as pessoas (um commodity), procure parcerias e no máximo investimentos de pessoas conhecidas que possam não simplesmente te dar dinheiro, mas agregar valor a seu produto
  2. Sendo dono de um commodity agora você consegue dar as cartas,nesta fase eu acredito que você tera como escolher entre propostas
  3. No Brasil eu recomendo ainda um aporte de risco do BNDS, além de ser relativamente simples, o governo não consegue cuidra de si mesmo quanto mais ficar te cobrando algo (falo isto pois um amigo meu conseguiu um financiamento de 300 mil reais para produzir o perl-oak, um framework em perl open source)

Bom, é isso ai.. meio longo mas são meus pensamentos a respeito do assunto

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