Curadoria de Funcionalidades

A filosofia de trabalho Getting Real prega que para ter um software fácil de usar e barato se de produzir e manter é preciso reduzir a quantidade de funcionalidades. Geralmente os programas têm mais funcionalidades do que o necessário e há um certo desperdício aí.

Resolver 80% do problema com 20% do esforço.

A melhor maneira de se enfrentar a complexidade é com menos código. Menos software significa menos funcionalidades, menos código, menos desperdício. A chave está em repensar qualquer problema difícil que venha a necessitar de uma grande quantidade de componentes para ser solucionado em um problema mais fácil, que requeira muito menos. Você pode acabar não solucionando exatamente o mesmo problema, mas tudo bem. Resolver 80% do problema original despendendo 20% do esforço é uma vitória e tanto. O problema original raramente é tão crítico de forma a realmente merecer cinco vezes mais esforço em sua solução.

A quantidade de funcionalidades importa?

Essa maneira de pensar pode levar uma equipe de desenvolvedores a pensar: então, quantas funcionalidades meu software deve ter? Três, cinco, doze? Hoje o pessoal da 37 Signals respondeu a esta interessante pergunta: É mesmo a quantidade de funcionalidades de um programa que importa?

Curadoria de Funcionalidades: escolhendo só o melhor.

Ao responder, Raymond Brigleb compara a escolha de funcionalidades ao trabalho de curadoria. Um museu, por exemplo, tem um espaço limitado para expor obras de arte. Por isso é preciso escolher muito cuidadosamente qual obra merece estar naquela valiosíssima parede.

No entanto quanto falamos de software, e principalmente de internet, não há limites. A parede é infinita. Portanto, é possível colocar em um programa tantas funcionalidades e telas quantas o programador quiser.

O espaço é infinito, a capacidade cognitiva do usuário não.

Mas é preciso entender que, se por um lado o espaço da tela é infinito dentro de um browser - ainda mais usando expedientes como lightboxes e outros recursos RIA - a capacidade do usuário de aprender a mexer no seu programa não é. Também não é infinito o tempo que o usuário tem para encontrar a funcionalidade que ele realmente precisa.

Muitas funcionalidades estragam a interface.

ipod-shuffle.jpgBasta perceber como um CD player comum geralmente tem muito mais funcionalidades que um iPod Shuffle. O iPod não tem botões para ativar graves, equalização, vários para sintonização e memorização de estações AM e FM, relógio, repetir, etc…

E por isso mesmo, porque não tem tantas funcionalidades pouco úteis para um tocador de música digital, o iPod é muito melhor que qualquer CD player: é absolutamente simples.

Equilíbrio entre interface, funcionalidade e produtividade.

Um bom software é o resultado de um cuidadoso equilíbrio entre uma interface limpa, simples e fácil de usar, funcionalidades que resolvem o problema do usuário e boa produtividade na hora de escrever o código e mantê-lo (para melhorar a relação custo-benefício).

Se duas funcionalidades são suficientes para resolver satisfatoriamente o problema, de maneira equilibrada, ótimo. Se é preciso 10, ótimo. O que realmente importa é a qualidade do programa, e que a quantidade de funcionalidades não estrague a experiência do usuário.

Portanto, ao pensar sobre uma nova funcionalidade para seu programa, pense como um curador, pense que cada pixel da sua interface é tão valioso quanto é cada centímetro do museu mais importante do mundo: será que esta funcionalidade merece este exposta aqui?

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3 respostas para 'Curadoria de Funcionalidades'

  1. Stéfano Diz:

    A regra do 80/20 também conhecida como Princípio de Pareto é incrível!
    Se aplica a quase todos os processos naturais e humanos.

    Mas enfim, a busca por excelência em termos de usabilidade é, ou deveria ser a meta de todos os softwares ou gadgets. O que raramente é.

    Seja no desta.ca, no MeioBit, PomoTi, ou qualquer outro blog que já mencionaram serviços em TI ou gadgets, todos falaram que se os idealizadores do projeto mantivessem um foco, o produto seria melhor. O próprio Motofone F3 da Motorola, já mencionado aqui. É um telefone que é um telefone. Só.

    Fiquei sabendo esses dias que o meu aparelho possuia Rádio Fm. Soube também de uma infinidade de recursos online para ele. Nunca usarei… além de torrar meu crédito em minutos, não foi essa a razão pela qual comprei o aparelho. Uso a câmera, os SMS e o telefone. Só.

    Exemplifiquei com o celular porque é um sistema limitado em relação ao que usamos diariamente.

    Faça algo bem-feito e funcional.

    Ótimo post Gilberto.

    Abraços.

  2. Nick Diz:

    Mais um excelente post, Gilberto!

    Eu adoro meu iPhone, que une iPod e celular, mas você tem toda a razão, a simplicidade do ipod shuffle atinge um nível bem próximo da perfeição, e nada melhor do que um ipod de verdade para escutar música.

    Abraço.

  3. Guilherme via Rec6 Diz:

    Curadoria de Funcionalidades…

    Menos código, menos disperdício…

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