Qual é a melhor alternativa para monetizar o bom conteúdo?

Não é novidade pra ninguém que é possível viver de um blog. Mas acontece que a maioria dos blogs que realmente ganham dinheiro, o fazem através de programas de afiliados como o Google Adsense, Mercado Livre, Submarino, etc.

Aí começa o problema, se um blogueiro quer ganhar dinheiro desta maneira, deve saber que o tipo de leitor que mais clica neste tipo de anúncio são aqueles que vêm ao seu blog por acaso, procurando algo no google. São os paraquedistas. Aos poucos o blogueiro vai aprendendo que, se quer ganhar dinheiro de verdade, precisa escrever coisas que serão muito buscadas no google. Esses assuntos são os hypes.

Mas há blogueiros que não querem entrar nesse jogo. Que são donos do seu próprio meio de produção de conteúdo (seu blog), não se interessam em entrar nos meios da grande mídia tradicional e conservadora, querem se manter independentes, fazem um trabalho realmente de qualidade, focado no bom leitor, no leitor fiel que assina seu conteúdo por RSS. Pra estes, o jogo hype-google-paraquedista-adsense não funciona.

Como é que este tipo de blogueiro pode viver do seu trabalho?

Marx disse que “O escritor deve naturalmente ganhar dinheiro para poder viver e escrever, mas não deve em nenhum caso viver e escrever para ganhar dinheiro”. Quem pensa deste modo não consegue se adaptar ao modo de monetização dependente dos paraquetistas. Vejo duas alternativas interessantes.

Fomento do estado aos blogueiros.

Um é o proposto por Antonio Martins para o Le Monde Diplomatique. “Seria possível, por exemplo, multiplicar o número de produtores de conteúdo oferecendo bolsas àqueles cuja ação é reconhecida por suas comunidades – territoriais ou virtuais – como promotora de formação e informação. Isso incluiria blogueiros, produtores de vídeos, músicos que produzem de forma compartilhada, fotógrafos. Os beneficiados pela bolsa teriam como responsabilidade aprender continuamente novas técnicas, e transmiti-las na comunidade”.

Poderíamos dizer que o Estado não tem obrigação de dar dinheiro para os produtores independentes de conteúdo. Poderíamos também dizer que ele não tem dinheiro para isso. Não seria verdade. A verdade é que o Estado Brasileiro já gasta centenas de milhões de reais com os oligopólios da mídia tradicional em forma de veiculação de propaganda estatal e empréstimos subsidiados. Não seria uma revolução, seria apenas natural que o governo investisse nos pequenos produtores de conteúdo de qualidade.

Postagens pagas

Outro modelo seria o de aproveitar a experiência do blogueiro, seu conhecimento na sua área, seu contato direto com seu público, para criar um canal de comunicação entre uma marca e seus clientes potenciais. Isso pode ser feito desde a maneira mais tradicional, o banner, até o patrocínio direto de um blog ou serviço (como é o caso do overmundo) ou a postagem paga.

É bom lembrar que postagem paga não é opinião paga. É uma empresa pagando por um serviço: a divulgação do seu produto ou serviço, um formador-de-opinião-longtail falando da sua marca, o diálogo direto com o cliente, entre outros benefícios. Mais do que isso, é marketing relevante, já que a postagem será lida por pessoas realmente interessadas por aquele assunto - pois o blogueiro de tecnologia não vai fazer uma postagem paga sobre um produto que não tem nada a ver com sua área.

Enfim, além recomendar que leiam também os textos dos amigos do Nossa Opinião sobre este assunto, quero também saber a opinião de vocês sobre a melhor alternativa para monetizar o conteúdo de qualidade, e o que pensam sobre postagens pagas.

O potencial da web 2.0 de mudar o mundo.

Reproduzo abaixo alguns trechos de uma brilhante reflexão de Antonio Martins para a Le Monde Diplomatique, chamada Muito Além de Gutemberg.

O Artigo fala sobre como os sites colaborativos, a blogosfera e as redes sociais na internet têm um enorme potencial para transformação o mundo, ao democratizarem o diálogo e a produção de conteúdo e de discursos e narrativas próprias da sociedade.

Uma utopia: viver de blog sem ser caça-paraquedista.

O autor propõe que, a partir de uma política que democratize os gastos do governo com mídia, no mínimo igualando aquilo (bilhões) que ele gasta com as grandes corporações com o que investe na mídia independente, produtores de cultura - como blogueiros ou músicos - poderiam viver de seu trabalho sem precisar negociar com o mercado. Desta maneira, por exemplo um blogueiro poderia viver do seu blog sem precisar ser um caça-paraquedistas, e escrever para seus leitores em vez de precisar escrever para o google.

Abre aspas:

“A convergência digital, a blogosfera e a comunicação compartilhada não ameaçam apenas a oligarquia da mídia corporativa. Também requerem um novo projeto para democratizar o jornalismo, e outros mecanismos para remunerar os produtores culturais.

Nos últimos anos, graças a certas ferramentas tecnológicas, mas especialmente a algumas mudanças de paradigma, os antigos conceitos de liberdade de informação e propriedade intelectual estão sendo superados. Em seu lugar, surgem idéias como comunicação compartilhada, inteligência coletiva, fim da passividade do receptor, direito à intercomunicação.

Essas mudanças têm enormes repercussões em nossa vida social, econômica, política e simbólica. Estão, por sua vez, relacionadas a sinais de que uma outra lógica de organização das sociedades – capaz de superar a que está baseada no lucro e na competição – é possível e necessária. […]

Como remunerar o trabalho do artista?

Se queremos que as obras culturais circulem e sejam apropriadas e recriadas por todos; se queremos fazer de cada ser humano um criador cultural, como remunerar o trabalho do artista? Como permitir que, sendo livre seu trabalho, possa ele alimentar-se, vestir-se, habitar, viajar, equipar-se – em suma, satisfazer suas múltiplas necessidades e desejos.[…]

No entanto, dois fatores combinados têm servido como uma contra-tendência formidável, que questiona a própria idéia de mercantilização da produção simbólica. A primeira é tecnológica: a internet começou, a vários anos, a erodir a receita da indústria cultural. Primeiro, veio o compartilhamento de música, sem contrapartida financeira. Depois – e ainda mais interessante e transformador – surgiram as possibilidades não apenas de trocar o que já está pronto, mas de criar em conjunto, a partir de múltiplos pontos do planeta.

Já não somos o que somos, mas o que compramos. O mais interessante é que surgem, em paralelo, alternativas. Afirma-se a lógica dos direitos. Debate-se, nos Fóruns Sociais, a idéia de que certos bens e serviços, necessários para assegurar vida digna, devem ser oferecidos a todos os seres humanos do planeta, independentemente de sua capacidade de pagar por eles. Acesso à terra, água potável, eletricidade, renda básica da cidadania, saúde de qualidade, educação, internet, bens culturais.

O fim do oligopólio das narrativas e discursos

É precisamente nesse contexto que surgem o direito à intercomunicação, a inteligência coletiva, o fim da passividade do receptor, o conhecimento livre. Graças à tecnologia — mais especialmente à busca de um mundo organizado segundo uma nova lógica social —, está se esfacelando um dos grandes instrumentos de dominação da era capitalista: o oligopólio das narrativas e discursos.

Como novos nós, sites colaborativos põem ordem no caos multifônico.

A mudança de paradigma, extremamente positiva, cria dois problemas complexos. O primeiro é a necessidade de recriar espaços públicos de debate, para evitar que a multiplicação dos produtores de conteúdo gere apenas um caos multifônico. O fato de cada ser humano ser um produtor de narrativas e discursos não deve significar que cada um se satisfaça consigo mesmo e dispense o diálogo. Nesse caso, estaríamos diante de uma nova forma de incomunicação e alienação.

Para evitar o risco, é importante criar outros nós na grande rede, certos lugares onde os produtores de símbolos se encontram, se reconhecem e estabelecem trocas. Isso não se faz de forma piramidal, nem com base em relações mercantis, nem sob a batuta de um editor todo-poderoso – mas a partir de recortes e pontos de vista compartilhados por uma comunidade.

No Brasil, um exemplo desbravador é o site de jornalismo cultural Overmundo. Centenas de leitores, muitos dos quais mantêm seus próprios blogs, ou produzem vídeo ou áudio – ou seja, já são produtores de conteúdo cultural – sentem-se atraídos para contribuir também para o Overmundo. Por que surgiu um nó, onde é possível estabelecer diálogos mais amplos.

Produzir comunicação, cultura ou arte não deve ser algo que dependa de remuneração

O segundo grande desafio é o da remuneração e sobrevivência dos novos produtores de símbolos. De certa maneira, a liberdade de conhecimento e de produção cultural é profundamente utópica, no melhor sentido do termo: o de antecipar um futuro possível. Ela aponta para a possibilidade da desmercantilização mais radical: a do próprio trabalho humano.

Produzir comunicação, cultura ou arte não deve ser algo que dependa de remuneração, mas um prazer e algo inerente à própria condição humana. Outras atividades, cada vez mais numerosas, deveriam ter o mesmo status: cuidar da natureza, educar as crianças, mostrar nossa cidade a visitantes que não a conhecem.

No caso de muitas outras atividades, o desenvolvimento da tecnologia poderia ser visto como um alívio, não como um drama. […] A condição é nos dispormos a imaginar a ultrapassagem da sociedade-mercadoria e do trabalho-mercadoria. Uma decisão-chave é reconhecer que, na época em que vivemos, a garantia de uma vida digna não pode mais estar associada a um emprego remunerado.

Isso exige, ao mesmo tempo, imaginar e testar desde agora novas relações. Se o trabalho necessário para produzir Overmundo é remunerado graças ao apoio de uma empresa pública, mediante patrocínio, devemos ter a ousadia de debater com a sociedade que se trata de uma relação muito mais avançada que vender o conteúdo do site aos que podem pagá-lo.

Produtores de conteúdo mantidos pelo estado.

Os caminhos para incentivar essa mudança são diversos – e sempre desconcentradores. Ao contrário do que ocorre na comunicação de massas, é possível produzir grandes saltos com pouquíssimos recursos. E, nesse caso, cada passo pode ser replicado em todo o país, gerando também efeitos sociais transformadores.

Seria possível, por exemplo, multiplicar o número de produtores de conteúdo oferecendo bolsas àqueles cuja ação é reconhecida por suas comunidades – territoriais ou virtuais – como promotora de formação e informação. Isso incluiria blogueiros, produtores de vídeos, músicos que produzem de forma compartilhada, fotógrafos. Os beneficiados pela bolsa teriam como responsabilidade aprender continuamente novas técnicas, e transmiti-las na comunidade.

É hora de assumir os compromissos

Os movimentos de grandes mudanças são sempre instantes de dor e delícia. Nas sociedades pós-modernas, as sociedades do conhecimento, é justamente no território da criação coletiva e circulação do conhecimento que estão se multiplicando os sinais de uma nova lógica social possível. É hora de fazer um pacto simultâneo com a vida e a utopia. É hora de assumir os compromissos de refletir permanentemente sobre a possibilidade dessa lógica, e de agir para torná-la real.”

Leia aqui o artigo completo.

O melhor da blogosfera é a descentralização.

Durante e depois do blogcamp, tenho visto alguns movimento no sentido de institucionalizar a blogosfera. Pelo menos dois movimentos caminham claramente neste sentido: o “Site mais relevante do Brasil” promovido por Wagner Fontoura e pela Via6 e um movimento que pretende desenvolver um “evento nacional de blogueiros”.

A união faz a força.

O caso da polêmica do Estadão mostrou como os blogs brasileiros têm força, quando agindo em conjunto. Essa demonstração de poder fez brilhar os olhos de muitos blogueiros, que começaram a pensar em uma maneira de constituir um movimento que integre e una os blogs em um objetivo comum.

Mas existe objetivo comum?

O problema é que não há objetivo comum entre os tão diversos blogueiros. Um quer reputação, outro quer dinheiro com adsense, outro quer divulgar suas idéias, outro quer vender anúncios diretos, enfim… Não há ainda muita clareza quanto à causa pela qual os blogs precisariam lutar em conjunto.

A blogosfera wiki e a descentralização.

No blogcamp, houve uma conversa sobre isso mesmo. Alguém sugeriu uma associação, uma cooperativa de blogs, uma instituição que representasse os blogs, no intuito de juntar as forças dispersas na blogosfera.

O Cardoso disse, ainda que sem se fazer ouvir: “Mas isso se resolve com um Wiki”. Eu gostei da idéia, e disse ao grupo que faria o wiki. E fiz. E já está funcionando, com artigos muito interessantes. É a blogosferawiki.com.

Gostei da idéia do wiki justamente porque ela coopera para a descentralização. Num wiki, o artigo nem autor tem, o autor é a comunidade como um todo. Na dinâmica de um wiki não é necessário hierarquia, cargos, funções, basta cada um ajudar como, quando e da maneira que puder e quiser.

Blogcamp e nossa organização natural.

É por isso mesmo que eu gosto muito do modelo original do barcamp. Da mesma maneira que um wiki, ele valoriza a descentralização, segue um modelo anárquico de onde surge a organização natural.

Assim também é a blogosfera. Cada um tem o seu blog e cada um manda no seu nariz. Mas há líderes naturais. Há colaboração entre os blogs, que acontece também de maneira natural e espontânea. Quando alguns blogs se levantam a favor do feed completo, por exemplo, é provável que vários outros blogs que estão nesta esfera de influência, que tinham feed incompleto, mudem de idéia.

E tudo isso acontece sem chefe, sem patrão, sem líderes autoritários, sem nenhuma instituição formal que “organize” estas relações.

Por isso, quando vejo movimentos no sentido de criar instituições, líderes formais, cargos eletivos, acende-me logo uma luzinha vermelha:

Pra que centralizar se nossa melhor qualidade é a descentralização?

A maior qualidade dos blogs é justamente essa: não temos dono, não temos editor-chefe, não temos diretor de opinião ou patrão que regule nosso modo de pensar e comunicar.

Por isso, é muito estranho ver movimentos no sentido de centralizar o meio de produção de informação. Por mais liberdade que os blogueiros participantes tenham, o dono do meio sempre será o dono.

Barulho organizado é música.

Cada blog fazendo seu barulhinho não faz muita diferença. Mas quando este barulho produzido pelos blogs é organizado, faz-se música. O poder da blogosfera está, sim, na coletividade, mas eu penso que não é necessário transformar o coletivo de blogs em um blog centralizado (mesmo que este seja, “o site mais relevante do Brasil”) para conquistar o respeito que queremos.

O motivo é simples: se um site assim conseguir respeito, quem será relevante será este site, não os blogs independentes.

Não sou contra redes de blogs, como o interneyblogs e a W2BR, que eu mesmo criei. São ligações entre mídias independentes.

Mas na minha opinião, o melhor caminho para ganharmos a credibilidade que pretendemos conquistar é:

1. Cada blogueiro, de maneira independente, criar conteúdo de qualidade, com foco nos seus leitores.

2. Cada blogueiro reconhecer sua interdependência dentro da blogosfera e participar de diálogos com outros blogs.

3. Cada blogueiro ajudar os outros (na blogosferawiki.com por exemplo :) naquilo que sabe fazer de melhor, sabendo que poderá contar também com a ajuda da comunidade quando precisar.

Finalmente, entendo que há uma oportunidade de negócio que está sendo aproveitada de maneira inteligente pela Via6. Entendo também que uma conferência tradicional para blogueiros do brasil inteiro seria outra boa oportunidade de negócio, além de um evento interessante.

Mas eu prefiro o modelo de desconferência. E prefiro o modelo descentralizado de redes de blogs colaborando e cooperando uns com os outros.

Além disso, espero que a blogsfera continue ciente de que o caminho para a conquista de melhores condições não é a sua institucionalização, não é a centralização, não é, sobre tudo, a burocratização, mas é a colaboração naturalmente organizada entre os blogueiros independentes.

Blogday 2007 | Blogs que descobri no blogcamp

Blog Day 2007

Acho que a coisa que eu mais fiz nesta semana pós blogcamp foi assinar novos blogs. Boa oportunidade para participar blogday e mostrar algumas boas descobertas:

Minhas 5 indicaçoes no blogday

1. Não Zero, de Juliano Spyer. Acho que a coisa mais bacana do blogcamp, pra mim, foi conhecer o Juliano Spyer. Eu já conhecia o seu trabalho e seus artigos no webinsider, mas nunca havia falado com ele. Como eu e ele gostamos mais ou menos dos mesmos assuntos (web 2.0, entre eles), acabamos ficando amigos instantaneamente. Seu blog novo é imperdível. Seu novo livro também, mas é assunto pra outra postagem.

2. Textos da Cíntia. Outra coisa legal do blogcamp foi conhecer jornalistas e gente nova. Uma delas foi a Cíntia, que escreve muito bem e tem um blog de contos e crônicas muito bacana.

3. Chá de Hortelã. Os “pensamentos sobre qualquer coisa” de Liliana Pellegrini são muito interessantes. Ela colaborou de maneira muito forte no blogcamp e foi um prazer conhecer, ela e seu marido, que fazem um trabalho muito interessante no interior de São Paulo.

4. Remix Narrativo, de Pollyana Ferrari. Foi outra pessoa que eu conheci no blogcamp. Ela é professora de Jornalismo Digital na PUC e Unifeo e dedica-se ao mercado editorial de internet desde 1995. Foi diretora da unidade de Internet da Editora Globo e diretora de conteúdo do portal iG. É autora de diversos livros sobre jornalismo digital. Precisa dizer que seu blog é imperdível?

5. DWD:3, de Luli Radfahrer. Todo webdesigner que se preze tem um livro do Luli, (design web design), como diz ele mesmo, “nem que seja escondido, atrás da estante”. Também estava no blogcamp, com sua mulher, a Paula, e colaborou bastante nas discussões. Seu blog (que eu já assinava) é tão bom quanto seus livros, os textos são grandes - mania de professor da ECA-USP ? - mas valem muito a leitura.

As instruções para a participação do Blogday são as seguintes:

1. Encontre 5 novos blogs que voce considera interessantes.
2. Notifique os 5 blogueiros que voce os está recomendando como parte do BlogDay 2007
3. Escreva uma curta descrição dos blogs e inclua um link para os blogs recomendados
4. Publiquei o post no dia 31 de agosto e
5. Adiciona a tag do BlogDay no Technorati usando este link: http://technorati.com/tag/BlogDay2007 e um link para o site do BlogDay http://www.blogday.org

Debate do Estadão sobre “Responsabilidade e Conteúdo Digital”

Acabei de ver a mesa redonda que o Estadão fez para discutir “Responsabilidade e Conteúdo Digital” e conseqüentemente, é claro, a polêmica campanha da agência Talent que insinua que os blogs têm conteúdo ruim.

Os convidados para o debate foram:

  • Bruna Calheiros - Sedentário e Hiperativo
  • Carlos Merigo - Brainstorm#9
  • Edney Souza - Interney.net
  • Gilson Schwartz - Professor da ECA-USP, responsável pela Cidade do Conhecimento
  • João Livi - Diretor de Criação da Talent
  • Marcelo Salles Gomes - Diretor de Núcleo Digital do Meio & Mensagem
  • Osvaldo Barbosa de Oliveira - Presidente do Interactive Advertising Bureau Brasil
  • Paulo Lima - moderador, Fundador e editor da Trip Editora
  • Pedro Dória - Colunista do Estadão, ex-blogueiro do nominimo.

Alguns destaques do debate

Paulo Lima inicia o debate falando sobre comunicação, sobre como na internet qualquer pessoa pode ser um emissor.

Respondendo a pergunta do mediador, Merigo falou muito bem sobre o problema da propaganda que gerou toda a polêmica. Deixa claro que foi, sim, endereçada diretamente aos blogs, ao contrário do que João Livi disse.

Marcelo, do Meio & Mensagem, - que parecia ser o único não-blogueiro que realmente entende o que é um blog e qual é a dinâmica dos blogs - disse que o caso desta propaganda mostra a força da blogosfera brasileira.

Pedro Doria, disse ser o primeiro blogueiro a viver de blogs no Brasil e falou da falta de importância e credibilidade que os blogs têm no país. Cita vários casos de políticos que foram derrubados pela blogosfera em outros países como França e EUA. Diz que, embora a internet brasileira seja enorme, não consegue ter peso político.

Osvaldo Barbosa, fala do fenômeno das socialnetworkings e diz que não é a marca que legitima a qualidade. A opinião de um amigo pode ser mais importante que um crítico de jornal.

Gilson Schwartz, Professor da ECA-USP, chutou o pau da barraca. Disse que os blogs representam somente um aumento na quantidade de informação, mas sem nenhuma qualidade, que é tudo lixo e porcaria. Chegou a dizer frases como “são macacos mais raivosos” e “Tem mais é que meter o cacete nos blogs”.

Voltando ao tom acadêmico, Gilson citou uma pesquisa que demonstraria que os leitores querem a confiança e credibilidade que está associada ao papel-jornal. Segundo o professor, “Na blogosfera o espaço público está lá, mas a opinião pública não. O nível de relevância na informação que a sociedade pede não está sendo atingida”

Paulo Lima, respondendo ao Gilson, diz que a mídia tradicional também tem uma quantidade gigantesca de lixo e porcaria.

Em sua vez de falar, Edney defendeu os blogs, explicando que os adolescentes foram para o orkut há muito tempo e que agora sobraram o que ele chama de “blogs informativos”, que são bem diferentes dos blogs adolescentes. Diz que os blogs devem ser mais respeitados porque produzem conteúdo de qualidade.

Edney disse ainda que os antigos criadores de fanzines agora criam blogs, porque o investimento para começar um blog é baixíssimo. Gilson o interrompe dizendo que é formado em economia e que o que se gasta para fazer um blog não é investimento, mas custo, porque blogs não dão retorno financeiro. Edney responde deixando claro que vive - mantendo a família, comprando carro, casa, etc - do seu blog desde 2005.

Pedro Dória, defende que os blogs ganharão espaço naturalmente, conforme gerarem conteúdo bom. Merigo diz que não é a plataforma que diz o que é relevante, mas o conteúdo. Edney diz que o blog bom, que é cuidadoso com o conteúdo e com o leitor pode ter credibilidade e sustentar-se. Merigo concorda, dizendo que a reputação depende do conteúdo do blog.

Várias vezes durante o debate, falou-se sobre também sobre a qualificação do leitor. Gilson diz que a própria proliferação das mídias está criando um leitor mais qualificado.

Pedro diz que é necessário ter cuidado com o poder que qualquer meio de comunicação tem.

João Livi não assumiu erro nenhum

Embora tenha momentos tensos, em geral a mesa-redonda teve um clima bastante leve. Na minha opinião, João Livi foi muito falacioso várias vezes durante o debate, tentando fazer-nos entender que o conteúdo da campanha não tem nada a ver com os blogs. O diretor de criação da Talent chegou a assumir que não lê blogs, que não conhece bem o que são os blogs.

Embora o moderador do debate, Paulo Lima, tenha dito que “o evento é a inauguração do recall de campanha de publicidade no Brasil” (o que, na minha opinião, mostra, embora de maneira tímida, que a campanha foi um erro), Livi não assumiu em nenhum momento qualquer erro de sua agência, dizendo que a campanha foi mal interpretada.

Comentários no Twitter.

Muitos blogueiros acompanharam o evento no local ou pela internet comentando ao vivo no twitter. Surgiram comentários interessantes, copio aqui alguns:

@markun: “É tão difícil sacar que quando você democratiza o meio de publicação, você altera SIM o sistema todo?”, “Mas a campanha da Talent não é JUSTAMENTE porque os blogs começam a ganhar credibilidade?”, “Opa, vamos nos focar nesse ponto, sim? Para blog ser ( boa ) mídia, tem que existir responsabilidade. Da mesma forma que em qualquer outra mídia”.

@crisdias: “Será que o problema blogs x velha mídia (incluindo aí agencias de publicidade) é que o blog é um fenomeno da classe média?”

@fseixas: “Ahhh, a reputação…. impressionante como quem está de fora não percebe que a reputação é a base da blogosfera”, “Sinceramente, faltou blogueiro nesse debate”.

[Update:] pedido de desculpas

Do Estadão: “Antes do debate, o jornalista Roberto Godoy leu uma mensagem do Grupo Estado em que pediu desculpas aos que se sentiram ofendidos: ‘Amamos os blogs’”

De minha parte, desculpas aceitas, Sr. Roberto.

“O segredo” para ganhar dinheiro com seu blog

Já faz tempo que o Interney contou “O segredo” para ganhar dinheiro com um blog. A fórmula é simples: “acorde cedo, trabalhe 18 horas por dia e não desista, você vai conseguir”. Parece brincadeira. E é. Mas no blogcamp neste fim de semana eu descobri que, como toda brincadeira, esta também tem um fundo de verdade.

Esqueça a monetização.

Muita gente, quando quer ganhar dinheiro com o blog começa pensando em como utilizar, implementar e otimizar ferramentas como adsense, mercado livre, jacotei, etc. Segundo o Edney, este é o pior caminho. Só se pode ganhar dinheiro com um blog que tem boa audiência. Sem audiência não há nada a ser monetizado.

Como conseguir audiência para o seu blog.

Aí está a verdadeira questão. O verdadeiro “segredo”. Num Brainstorming sobre isso ontem no blogcamp, tivemos várias idéias de como trazer um bom público para um blog. Anotei uma lista de sugestões:

1. Participe ativamente (colaborando, respondendo, ajudando) de fóruns, listas de discussão e comunidades no orkut (sim, tem algumas que prestam) sobre o tema que você escreve. E quando houver uma oportunidade que vai ajudar aquela comunidade, divulgue o seu blog ali. - Não faça spam!

2. Monitoramento de marca. Faça buscas no google, no orkut, no technorati, em todos os lugares que você puder, para estar a par de todas as citações do seu blog. E responda a todos. Assim você fará um relacionamento com estes blogs, sites, comunidades, etc.

3. Monitorar as palavras-chave que têm levado leitores ao seu blog. A idéia aqui não é somente escrever mais sobre os temas que mais trazem público, pelo contrário, ver quais palavras-chave têm trazido algum, mas pouco público, em busca de hypes, temas novos e sugestões de assuntos que você poderia desenvolver melhor.

4. Relacionamento. Responda aos comentários dos leitores, responda quando outros blogs falarem de você, converse com outros blogueiros que falam do mesmo assunto que você… Enfim, procure fazer um relacionamento com seus leitores.

5. Capriche no conteúdo. Pesquise bastante antes de começar a escrever, procure outros blogs que já falaram sobre o assunto. Gaste bastante tempo fazendo uma postagem, releia várias vezes, escreva cada frase com todo cuidado e atenção. Leia muito e estude para escrever melhor.

6. Analise suas estatísticas procurando tendências, áreas a serem melhoradas no layout. Procure entender quem é o seu leitor através das estatísticas.

7. Faça tudo isso, todos os dias, por muitos meses, não desista. Só depois de ter um público bom (o interney tem mais de 10.000 visitas por dia) comece a estudar a implementação e otimização de ferramentas de afiliados.

Mas se eu fizer tudo isso, não farei mais nada na minha vida!

Exatamente :) Aí é que nos lembramos do “Segredo” de ganhar dinheiro com um blog, que citamos inicialmente. Não é nada fácil. É muito trabalho. Talvez muito mais do que você tem no seu emprego. É uma profissão como outra qualquer: é preciso suar muito a camisa para ganhar bem.

Tendo em mente esta montanha de tarefas que um blogueiro profissional tem todos os dias, passa a fazer sentido: “acorde cedo, trabalhe 18 horas por dia e não desista, você vai conseguir”.

Mas tome o cuidado de não trabalhar demais, você pode ficar como o interney:

Utilidades para o Twitter

twitter.jpgO Michel Lent costuma dizer que comunidades online são como bares: não importa muito a qualidade do bar em si, importa saber qual é o bar no qual a minha galera se reune. Se meus amigos fazem aquele workchopp na sextafeira em um bar meio sujinho, mesmo assim eu não vou ao mais limpinho, porque meu interesse não é no bar em sí, mas nas pessoas.

Com o Twitter é a mesma coisa.

Há um tempo que sabemos que ele existe, que é febre lá na gringolândia, mas só agora, quando tem uma porção de pessoas que eu conheço é que ficou realmente interessante.

Utilidades para o twitter.

A princípio, me parece muito bobo ficar falando “o que eu estou fazendo”. Tão bobo quanto um blog-pessoal. Mas se o twitter for subvertido da mesma maneira que os blogs foram subvertidos, dando origem ao blog de conteúdo, podem surgir coisas muito interessantes.

O Marco Gomes entrou no Twitter e logo descobriu que ele pode servir “para espalhar pensamentos engraçadinhos ou compartilhar e discutir links na velocidade da luz”.

Saber das novidades mais rapidamente.

Um dos motivos principais que me fazem participar de listas de discussão por e-mail, como o radinho por exemplo, é que através delas as novidades, às vezes, chegam aos antes dos blogs e da mídia convencional - certamente antes da minha próxima leitura das centenas de artigos que chegam diariamente por RSS.

Outra linguagem para compartilhar

Outra coisa interessante é que no Twitter, o simples fato de haver um limite de caracteres para cada mensagem faz com que a linguagem que utilizamos se modifique. A comunicação fica sucinta, rápida, quase como a dos telegramas. Não ter o compromisso de escrever um artigo, como no blog, também acaba incentivando cada um a compartilhar idéias de maneira mais livre e informal.

As listas de discussão ainda serão um ambiente para discutir mais profundamente alguns assuntos, os blogs continuarão sendo o melhor meio para publicar artigos e expressar suas idéias de maneira mais articulada, mas o twitter parece ter um bom potencial para substituir outras comunidades como o orkut, e para assumir a função de “compartilhador de novidades na velocidade da luz”.

Siga-me!

Enfim. Citando um dos filmes que eu mais gosto, “all who love me, follow me!”