Conectado, de Juliano Spyer

conectado.jpgEu tenho o costume de ler vários livros ao mesmo tempo. Atualmente, estou lendo 5. Mas Sábado, quando chegou em casa o livro do Juliano Spyer, Conectado, eu parei tudo. Li as 256 páginas no mesmo dia, de uma só vez.

O segundo capítulo, sobre a Economia da Doação, diz tudo que eu gostaria de saber antes de começar projetos colaborativos.

Ele explica porque as pessoas colaboram na internet, porque na rede dão de graça conteúdo que cobrariam caro para produzir offline.

O livro está longe de ser técnico, hermético. Embora evite o termo, o livro é sobre uma parte do que se convencionou chamar de “Web 2.0″ - a parte das comunidades e do aproveitamento da participação imediata do usuário como criador de conteúdo.

O Juliano conseguiu a proeza de escrever um livro que é muito instrutivo tanto para um especialista em Web 2.0 quanto para quem não sabe nada sobre o assunto.

Amanhã, dia 5 de setembro, eu estarei no lançamento, que será na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (em São Paulo). Já sei de vários blogueiros que também estarão lá, parece que vai ser divertido.

Sobre o livro

Descubra o que está por trás de fenômenos como blogs, MSN, Orkut, Wikipedia e YouTube. Escrito por Juliano Spyer, que há dez anos desenvolve ações colaborativas no Brasil e no exterior, Conectado é uma contribuição original a debates que estão em pauta na grande mídia, como pirataria, invasão de privacidade e censura na web.

Tem a virtude de tratar de tecnologia sem ser um livro técnico, e apresentar temas que afetam a sociedade sem ter vícios de estudos acadêmicos. Traz instruções práticas para formar e manter comunidades virtuais e descreve os cases mais importantes da internet.

Aqui, encontra-se um roteiro para conhecer os projetos colaborativos mais originais aplicados a educação, negócios, comunicação e ativismo social. O leitor ainda pode acessar um site para compartilhar suas experiências com outros leitores e com o autor.

Aposta na abertura dos canais de comunicação

Conectado é um manual que apresenta a comunicação pela internet do ponto de vista teórico, prático, aplicado, conduz o leitor por estudos de casos e debate as consequências e desafios do mundo interconectado. Seu objetivo implícito é ajudar a radicalizar a distribuição do acesso à mídia.

Do prefácio de Caio Túlio Costa:
“Poucas vezes vi em bom português tanta informação e argumentação como em Conectado. …É um livro, ao mesmo tempo, técnico e humanista, didático e profundo.”

Sobre o autor:
JULIANO SPYER é historiador pela USP e palestrante para o curso de mídias digitais da PUC-SP e do Departamento de Publicidade da ECA-USP. Seus projetos Viva São Paulo, em parceria com a Rádio Eldorado, e Leia Livro, para a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, são referência no país em termos de conteúdo gerado por usuários e ação de cross-mídia interativa. Publicado pela Jorge Zahar Editor.

Lançamento em SP:
Dia 5 de setembro na Livraria Cultura do Conj. Nacional.

Baixe o arquivo em PDF contendo índice e introdução de Conectado.

Já à venda: Compre seu volume de Conectado pelos sites da Livraria Cultura, Saraiva ou Siciliano.

(A apresentação do livro, acima, foi copiada daqui.)

Cipedya | a nova biblioteca digital livre

Eu estudo na oficina do ator antropofágico. Estamos montando a peça Otelo, de Shakespeare. Eu estou fazendo o papel de Otelo. Logo no início da montagem cada membro da oficina deveria arranjar sua própria cópia da peça. Onde é que se arruma uma coisa dessas na internet?

A partir de agora, tenho um lugar certo para procurar: a cipedya.

cipedya

Trata-se de uma biblioteca colaborativa de documentos digitais, de uso gratuito. Qualquer pessoa pode incluir gratuitamente qualquer tipo de documento digital. O documento fica disponível para buscas e download no portal.

Ainda em fase beta (sabe lá deus porque), a visão do site é bonita:

Criar um portal onde professores, acadêmicos, pesquisadores e usuários em geral possam disponibilizar à comunidade, de forma simples e organizada, qualquer documento digital, sejam textos de todos os tipos (artigos, teses, monografias, apostilas etc), apresentações ou planilhas.

Além disso, o Cipedya se alinha a iniciativas como Movimento Acesso Aberto (Open Acces Iniciative) e Creative Commons, entre outros grupos que defendem uma mudança nos paradigmas tradicionais de difusão do conhecimento nas artes e nas ciências na era digital.

O site tem um visual bem limpinho, mas que ainda pode melhorar bastante. O Cipedya também apresenta-se como um site Web 2.0, “especialmente no que se refere ao aproveitamento da inteligência coletiva e a vizualização da web como plataforma”.

Eles seguem a maneira do Google de organizar conteúdo: em vez de criar um índice com categorias para encontrar os livros, há apenas um mecanismo de busca, que aparentemente funciona muito bem.

Fuçando um pouco eu encontrei esta surpresa: “O que é web 2.0″, de Tim O’Reilly, em português. Traduzido por Miriam Medeiros.

Na minha opinião, o projeto tem muito futuro. Vamos ficar de olho.

Por que a web não afetou o mercado editorial?

Acabei de ler um interessante artigo, de John Crace (do The Guardian), que explica porque a web, que abalou tão gravemente a indústria da música, ainda não afetou o mercado dos livros.

A web ajuda bandas boas a fazerem sucesso.

Crace explica que hoje qualquer banda razoavelmente boa (só isso já reduz muito a quantidade) consegue ser conhecida no mundo todo com uma página no Myspace, disponibilizando suas músicas para serem baixadas gratuitamente. A internet democratizou o acesso à música, tirando poder (um pouco, pelo menos) das grandes gravadoras.

Mas com os livros não é assim.

Já no caso dos livros a coisa tem sido muito diferente. Embora haja boas exceções, como João Paulo Cuencas que era blogueiro e foi convidado para publicar um romance e as Motherns que viraram até seriado de TV, continua sendo muito, muito difícil para um escritor estreante ser publicado.

Segundo John Crace, “Se você quer saber a quem culpar, não precisa olhar para muito além do mercado literário. Editores e vendedores querem somente investir no que é garantido.”

Lulu.com é boa novidade, mas não pegou ainda.

Há boas novidades, como o site lulu.com, onde qualquer pessoa pode “publicar” seu livro com impressão sob demanda. Mas o custo da impressão sob demanda continua sendo alto em relação à impressão de grandes quantidades. Além disso, há toda uma cultura tátil do livro, de pegar na mão, cheirar, ler a orelha e só depois deste namoro vem a compra - nada disso existe na internet.

E o futuro do mercado editorial?

O que acontecerá quando os livros deixarem de ser distribuídos em papel (pela tela flexivel)? O que acontecerá quando o mercado editorial for tão digital quanto é hoje o de música?

Será que provaremos uma verdadeira revolução cultural? Será que, como diz John, esse meio, que costumava ser um trampolim para o radicalismo, pode morrer pelo conservadorismo?