Por que a web não afetou o mercado editorial?

Por Gilberto Jr, dia 29/05/07. 4 comentários »

Acabei de ler um interessante artigo, de John Crace (do The Guardian), que explica porque a web, que abalou tão gravemente a indústria da música, ainda não afetou o mercado dos livros.

A web ajuda bandas boas a fazerem sucesso.

Crace explica que hoje qualquer banda razoavelmente boa (só isso já reduz muito a quantidade) consegue ser conhecida no mundo todo com uma página no Myspace, disponibilizando suas músicas para serem baixadas gratuitamente. A internet democratizou o acesso à música, tirando poder (um pouco, pelo menos) das grandes gravadoras.

Mas com os livros não é assim.

Já no caso dos livros a coisa tem sido muito diferente. Embora haja boas exceções, como João Paulo Cuencas que era blogueiro e foi convidado para publicar um romance e as Motherns que viraram até seriado de TV, continua sendo muito, muito difícil para um escritor estreante ser publicado.

Segundo John Crace, “Se você quer saber a quem culpar, não precisa olhar para muito além do mercado literário. Editores e vendedores querem somente investir no que é garantido.”

Lulu.com é boa novidade, mas não pegou ainda.

Há boas novidades, como o site lulu.com, onde qualquer pessoa pode “publicar” seu livro com impressão sob demanda. Mas o custo da impressão sob demanda continua sendo alto em relação à impressão de grandes quantidades. Além disso, há toda uma cultura tátil do livro, de pegar na mão, cheirar, ler a orelha e só depois deste namoro vem a compra - nada disso existe na internet.

E o futuro do mercado editorial?

O que acontecerá quando os livros deixarem de ser distribuídos em papel (pela tela flexivel)? O que acontecerá quando o mercado editorial for tão digital quanto é hoje o de música?

Será que provaremos uma verdadeira revolução cultural? Será que, como diz John, esse meio, que costumava ser um trampolim para o radicalismo, pode morrer pelo conservadorismo?

Snap Preview Anyware agora é muito mais!

Por Gilberto Jr, dia 16/04/07. 3 comentários »

Sabe aquela janelinha que aparecia aqui, que mostrava, nos links externos, uma imagem da página que seria aberta? É o SPA - Snap Preview Anyware. Ou seja, era. Agora essa é só uma das muitas funcionalidades do novo Snap Shots.

Veja abaixo as outras funcionalidades (copiadas do site do produto).

PreviewShot™
PreviewShot, anteriormente conhecido como Snap Preview Anywhere, mostra a visualização da imagem do site vinculado a um link. Exemplo


WikiShot. O WikiShot gera um resumo de uma entrada na Wikipedia sobre um assunto específico. O usuário pode ler e decidir se quer pesquisar mais sobre o assunto. Exemplo


MovieShot. O MovieShot fornece fotos, biografias, e projetos recentes de páginas IMDb sobre assuntos relacionados ao entretenimento, incluindo filmes e TV, elenco e equipe. Exemplo


StockShot. O StockShot exibe informação detalhada e atualizada do mercado de valores no contexto. StockShots são gerados automaticamente de URLs par: Yahoo! Finance, Google Finance, MSN MoneyCentral, CNN Money, MarketWatch, MorningStar. Exemplo


VideoShot. O VideoShot permite que os sites incorporem vídeos do YouTube em um Shot, sem misturar o layout com imagens grandes e estáticas, ou levando os usuários para outro lugar. Exemplo


PhotoShot.O PhotoShot coloca todo um álbum on-line em um Shot. Exemplo


ProductShot. O ProductShot mostra automaticamente a listagem do Amazon.com para um produto. Exemplo


AudioShot. O AudioShot toca arquivos .mp3 em um Shot e também exibe informações como faixa, artista, capa do álbum, etc., se estas informações puderem ser determinadas. Exemplo

Agora o Snapshots pode ser uma ferramenta muito util para blogueiros e webmasters, que podem agregar mais conteúdo ao usuário sem que ele deixe o seu site.

Ou pode ser só uma ferramenta chata que ficou ainda mais chata.

Qual é a sua opinião?

Podcrer 06 | Meritocracia que nada!

Por Gilberto Jr, dia 7/04/07. 1 comentário »

O meu amigo Vicente Tardin, editor do webinsider, falou um pouco da minha história na sexta edição do podcrer, junto com o Michel Lent. Fiquei sabendo da história curiosa: o Michel, em 2002 escreveu o artigo quem disse que era uma meritocracia, e inspirou o Vicente a largar o emprego e ir viver do webinsider (e dos freelas ocasionais).

Num curso sobre conteúdo para internet que o Vicente ministrou, onde tive o prazer de conhecê-lo, em 2005, ele me convenceu que era possível viver de internet, trabalhando em casa, sem nenhuma daquelas aporrinhações que eu vivia. Eu acreditei e abri, junto com Eduardo Rosa (com quem trabalho desde o meu primeiro emprego, em 2000) a desta.ca.

Hoje, depois de um ano de luta na desta.ca, vivo com mais qualidade de vida que quando era empregado. Concordo com o Michel, que o dinheiro que ganhamos não é proporcional à qualidade do nosso trabalho (o mercado quer sempre mais por menos), acredito que há muito mais oportunidades de negócios como empreendedor do que como empregado. Quem sabe esta história, lida e ouvida, também não inspire você a começar seu próprio negócio! Boa sorte!

O Risco do Capital de Risco, parte 2

Por Gilberto Jr, dia 16/03/07. Deixe o seu comentário »

Abaixo alguns comentários muito relevantes sobre a postagem Via 6 | O risco do capital de risco. Há o comentário do Renato, diretor da Via6 e do Marcelo, um dos investidores da Confrapar, dando suas opiniões sobre o caso específico.

Há também as opiniões do Marco Gomes e do Rodolfo Sirika, criadores do boo-box e do iJigg.com respectivamente, com suas opiniões sobre porque não aceitaram nenhuma proposta de investimento em seus negócios até agora.

Se você tem uma startup e está indeciso sobre procurar ou não dinheiro de capital de risco, estes depoimentos são inestimáveis. É grande, mas vale muito a pena. Conforme outros amigos comentarem sobre o assunto, faremos outras postagens. Acompanhe:


Marcelo, um dos investidores da Confrapar, que investiu na Via6:

“Pode ter certeza de que temos uma preocupação muito grande em não desvirtuar as empresas investidas. Todos os investidores da Confrapar são empreendedores também, ou seja, estamos no ‘lado branco da força’. ;-)”


Renato Shirakashi, diretor da Via6

“A busca por um capital de risco é um meio e não um fim. Abrir uma empresa pensando na entrada de um capitalista de risco como fim é meio passo para o fracasso. Agora existem sim planos bem arquitetados que só podem ser executados através de um alto investimento inicial. Nesse contexto, um capitalista de risco é importante. Não é a toa que foram necessários capitalistas de risco em quase 100% dos grandes players da web atuais.

Agora a entrada de capitalistas pode sim influenciar os rumos da empresa. Para melhor ou pior. Veja o caso do Google, uma empresa investida, mas que sempre manteve sua postura quanto ao usuário. Ao mesmo tempo, veja a postura tomada pelo Friendster.

Por fim, receber um investimento e pensar que seus recursos não são limitados com certeza é um erro. A entrada de capital desafoga em certo sentido, mas o rigor nos gastos e criatividade para contê-los e multiplicar o dinheiro é essencial”


Marco Gomes, criador do boo-box.

“Bem, nós já recebemos várias propostas de investimento para o projeto boo-box, porém, não aceitamos nenhum até agora.

O principal motivo é que não queremos prestar contas pra ninguém, tocamos o boo-box como um “sonho”, na maciota, sem estressar. Se aceitássemos, 200 mil, 600 mil, 1 milhão de reais de investidores precisaríamos nos estressar e nos comprometer com retorno. Já temos problemas demais em nossos trabalhos e freelas, não queremos mais dor de cabeça.

Lógico que pode chegar um ponto que não será possível continuar o desenvolvimento do boo-box na camaradagem, mas até lá vamos nos virar com nossas próprias pernas. A parte boa é que a idéia é tão simples que o custo com hospedagem é irrisório. O problema é conseguir mão-de-obra que queira trabalhar “na camaradagem” como tem ocorrido até agora.

Outro incentivo para nos mantermos “pobres” são os inúmeros textos de norte-americanos aconselhando que você evite investimento enquanto for possível. Como mostrado pelo Gilberto, até o Getting Real fala disso.

É isso, esses são os motivos de não termos venture capital até agora, apesar das várias propostas e conversas super excitantes que tivemos.

Não estou, de forma nenhuma, condenando quem recebe investimento, sei que, graças a Deus temos nossos empregos e temos o privilégio de não precisar viver de boo-box. Se precisássemos de dinheiro com certeza a figura seria bem diferente. Foram meus dois centavos. Aguardo mais comentários sobre o tema, afinal, não sou nenhum especialista em venture capital e start ups.”


Rodolfo Sikora, criador do iJigg.com

Background: Trabalhei sou sócio (com uma ínfima participação) e ainda sou consultor de integração da Inova Tecnologias, criadora do Gobits Reader entre outras coisas. A Inova é uma empresa que depois de 4 anos de existência recebeu um aporte de um VC (Darby Overseas) em 2000.

Sem sombra de dúvida posso dizer, por experiência, que o capital de risco é uma faca de dois gumes, muito mais pela forma como se aplica o dinheiro do que propriamente pelo fato de receber ou não o investimento.

Normalmente, e até aí não é novidade, estes fundos não compram a empresa inteira, eles compram de 20%~40% da empresa e contratualmente obrigam a pessoas chaves permanecerem na empresa por determinado tempo bem como obrigam condicionalmente com cláusulas resolutivas que parte do capital seja reinvestido na empresa.

Não pensem que é possível levantar dinheiro sem um plano de negócios, potanto não é bem assim: “quando acabar o dinheiro a gente pede mais”. Sem um bom plano de negócios vc não consegue capital de risco. Veja bem risco não significa burrice. Um investidor de risco procura opções com alta probabilidade, o risco consta apenas no fator de que a tecnologia evolui muito rápido e que a concorrência é muito forte.

Conseguir um aporte de um fundo desses não é simplesmente sinônimo de receber dinheiro, como eles investem em outras empresas eles possuem muitos contatos, e as vezes eles investem em você já planejando uma parceria com outra empresa com a qual já possuem certa influência.

Nem sempre é fácil botar em prática todas as idéias de uma startup, principalmente por questões financeiras. Aprecio imensamente o ponto de vista do Marco, e ascrescento apenas o seguinte em relação ao Boo-Box ou a qquer outro produto (como o próprio iJigg) que foi lançado simplesmente na camaradagem e em cima de horas vagas e um sonho:

Nossos sonhos são maravilhosos, ainda mais quando podemos realizá-los sem a obrigação de se ter que tirar um dinheiro dele, mas idéias boas são vistas por outras pessoas com uma visão meramente mercadológica e com finalidade lucrativa. Estas pessoas podem ter o dinheiro para imitar a sua idéia e aperfeiçoá-la com uma velocidade que você não possui. Sem falar que marketing é tudo, e marketing é caro. É importante sair em blogs e mídias alternativas, é, mas um anúncio na televisão vale muito mais do que aparecer em lugares virtuais.

Existe uma teoria a respeito da acreditabilidade de uma marca, de um produto e de um serviço. E é aí onde entra outro papel fundamental de estar sendo apoiado por um grande nome/fundo. Dois exemplos ilustrativos:

O iJigg não teria problemas com direitos autorais se uma gravadora fosse patrocinadora ou investidora nossa, sem contar que isto alavancaria a exposição do produto.
O Boo-Box, talvez conseguisse algo mais facilmente na submarino se tivesse um grande nome apoiando ele que tivesse influência no comércio on line, ou não um investidor, mas uma opinião de um grande comércio online falando que o boo box está trazendo muito lucro para a empresa.

Com um investidor, o problema é que vc passa a ter que apresentar resultados, seus custos aumentam, e se vc não tiver um bom administrador e preferencialmente um que peite os investidores vc terá mais problemas do que benefícios, mas de forma geral acredito que injeção de capital é mais benéfico do que maléfico.

Agora falando particularmente do iJigg.com, o que temos feito é recusar propostas de investimentos neste início pq o valor de mercado ainda é muito baixo e todo mundo vem com o papo: “ahh mas vocês só tem 2 mêses”
As propostas mais interessantes estão “on hold”, o que estamos tentando fechar são parcerias que não te compromete em termos societários e são baseadas em contratos mais limitados para ambas as partes.

Se as coisas fossem simples, eu diria que o ideal é:

  1. Enquando seu produto não for uma necessidade para as pessoas (um commodity), procure parcerias e no máximo investimentos de pessoas conhecidas que possam não simplesmente te dar dinheiro, mas agregar valor a seu produto
  2. Sendo dono de um commodity agora você consegue dar as cartas,nesta fase eu acredito que você tera como escolher entre propostas
  3. No Brasil eu recomendo ainda um aporte de risco do BNDS, além de ser relativamente simples, o governo não consegue cuidra de si mesmo quanto mais ficar te cobrando algo (falo isto pois um amigo meu conseguiu um financiamento de 300 mil reais para produzir o perl-oak, um framework em perl open source)

Bom, é isso ai.. meio longo mas são meus pensamentos a respeito do assunto

Via 6 | O risco do capital de risco

Por Gilberto Jr, dia 15/03/07. 3 comentários »

Ouvi o seguinte diálogo de um amigo, que trabalha numa grande e conhecida startup de web 2.0:

- De onde vocês tiram dinheiro, se o serviço é gratuito e sem propaganda ?
- De investidores.
- E quando acabar ?
- Ah, quando acabar a gente pede mais.

É uma prática comum nos países ricos correr atrás de investimento assim que se tem um projeto na mão. E lá fora há bastante dinheiro disponível para viabilizar projetos que podem dar certo, ou não. Sites como o netvibes, que aparentemente não têm nenhum modelo de negócios bem definido, vivem do dinheiro dos investidores.

No Brasil não há tanto dinheiro pra isso. E eu penso que isso é bom. Sem dinheiro de investimento, somos obrigados a pensar desde o início em um bom modelo de negócios. Sem investidores, temos liberdade para mudarmos o foco, para fazermos tudo do nosso jeito, e para colocar o usuário em primeiro lugar, acima do retorno financeiro rápido.

A notícia é que o Via6 - um site de relacionamento profissional complementado pelo Rec6, o mais acessado dos digg-clones brazucas - acaba de receber um investimento de capital de risco da Confrapar, uma empresa de Belo Horizonte.

O livro getting real diz o seguinte sobre isso:

“A primeira prioridade de muitas empresas iniciantes é adquirir fundos de investidores. Mas lembre-se, se nos viramos para gente de fora para fundos, teremos que responder a eles também. Crescem expectativas. Investidores querem seu dinheiro de volta – e rapidamente. O fato triste é que dinheiro entrando nem sempre significa a construção de um produto de qualidade.

Dirija com recursos limitados e será forçado a contar com restrições mais cedo e mais intensamente. E isso é uma coisa boa. Restrições dirigem inovação.

Um mês ou dois fora das porteiras devem lhe dar uma boa idéia se você está em algo sólido ou não. Se estiver será auto-sustentável logo e não precisará de dinheiro externo. Se sua idéia estiver furada, é hora de voltar à prancheta de desenho. […] Planos de saída se tornam bem complicados quando investidores estão envolvidos.

Se estiver criando software apenas para fazer um dinheiro rápido, isso vai aparecer. Um retorno rápido é bem improvável. Então foque em construir uma ferramenta de qualidade que você e seus clientes poderão viver com por um bom tempo.”

Agora resta-nos acompanhar os rumos que a Via6 vai tomar, tendo que prestar contas aos investidores. Se o foco e o centro forem os usuários, o dinheiro poderá dar o fôlego necessário para tornar a Via6 uma grande empresa. Se o foco for desviado, pode ser uma triste tragédia. Torcemos que aconteça o melhor :)