Como reorganizei meus feeds e ganhei um tempão.

rss.jpgTodos os dias era a mesma tortura: depois de ler uns 30 e-mails (alguns bem complicados) ia para o google reader ler os quase 200 feeds que eu assinava. Geralmente havia quase 400 artigos para ler. Eu lia quase tudo, quase todo dia, trabalho que me tomava pelo menos duas horas do dia.

Procrastinação produtiva.

Sem mudar de assunto: você já ouviu falar em procrastinação produtiva? É quando você adia um trabalho, mas em vez de ir pra frente da TV, jogar videogame ou algo assim, você trabalha em algo menos importante mas que você tem vontade. Pois foi num momento de procrastinação produtiva que nesta madrugada eu resolvi reorganizar todos os meus feeds.

Passo 1: Separei algumas categorias importantes:

  • “1″ - somente para feeds que postam pouco mas que são muito importantes - como as mudanças recentes do artigo web 2.0 da wikipédia, por exemplo;
  • “Techblogs” - São duas categorias, uma só para gringos como o Techcrunch, Read/Write/Web, etc, e outra só para brasileiros como o Tiago Dória, Não Zero, Interney, etc;
  • As categorias Design, Publicidade, blogging, cultura, quadrinhos e espiritualidade também foram separadas para estes assuntos específicos;
  • “Blogs” ficou como uma categoria para blogs que não são sobre um assunto que envolve meu trabalho;

Passo 2: Tirei do Google Reader e coloquei no iGoogle os feeds que postavam demais:

Alguns poucos feeds, sobre tecnologia, música e notícias gerais, postavam dezenas de artigos por dia. Estes canais que postam demais geralmente não são os que têm postagens de maior profundidade e qualidade. São canais de notícia como info, idg, folha online e blogs como meiobit, lifehacker, e sites como slashdot, digg, etc.

Na aba específica de feeds de tecnologia no iGoogle, basta uma passada de olho sobre os títulos para saber se há algo realmente importante nestes canais que postam demais.

Embora estes canais não tragam algumas novidades mais rápido que os blogs, outras coisas, como comunicados oficiais de empresas, chegam mais rápido através deles. Hoje mesmo fiz uma postagem que teve por fonte a info online. Mas geralmente não é preciso ler todas as notícias deste tipo para ficar bem informado.

O tempo que economizei.

De duas horas, passou para meia hora o tempo que levo para ler todos os feeds que assino. Assim sobra mais tempo para escrever. A final, quando você leva a sério seu blog, não faz sentido gastar a maior parte do seu tempo lendo e destinar “o que sobrar” para escrever.

Enfim, fica aí a dica: separe os que postam muito dos que postam pouco e com mais qualidade, leia somente os títulos dos primeiros rapidamente com o iGoogle e leia com calma os últimos com o Google Reader.

E você, tem alguma dica para compartilhar conosco sobre o modo como organiza seus feeds?

“Bacn” é o e-mail que você quer, mas não agora.

Todos nós sabemos o que é SPAM, o e-mail chato, indesejado, mas o que é Bacn?

Andam falando disso no Twitter. O último foi o blogueiro Cris Dias, com dois ótimos links.

As origens do Bacn

“Bacn” surgiu depois da web 2.0. É um subproduto dela. Somente a partir da web 2.0 os sites - principalmente os de comunidades como orkut, twitter, myspace, etc - começaram a enviar e-mails para nossas caixas postais. O detalhe, que diferencia o bacn do spam é: estes são e-mails que nós requisitamos, que nos interessam, que nós queremos ler, mas não temos tempo.

O bacn é um grande matador de produtividade.

É importante, pra algumas pessoas, saber quem é aquele sujeito que te adicionou no orkut ou está seguindo no twitter. É legal ler aquela piada que o amigo mandou. É importante ler os comentários que fazem nos nossos blogs, ver a notificação do google, a newsletter da revista que você assina… Mas tudo isso pode ser lido depois. E vai amontuando nas nossas caixas de entrada. Se lermos tudo que chega, não sobra tempo pra trabalhar.

É sério isso?

É claro que “bacn” é um nome engraçado. E todo este hype (segundo o boing boing) torna a coisa toda ainda menos séria. Mas independentemente do nome, até que faz sentido procurar soluções:

Como você lida com seu bacn?

iMasters #2 - o emprego acabou, se vira.

imasters2.jpg Recebi esta semana a revista iMasters #2. O design gráfico está muito bonito. Eu estou colaborando na revista com uma matéria na qual eu entrevisto alguns amigos que são diretores de sites colaborativos sobre a proporção de usuários que criam conteúdo - que Jacob Nielsen diz ser 1%.

Embora não seja a matéria de capa, a que eu achei mais interessante foi a do Vicente Tardin cujo título é “o emprego acabou, se vira”. Foi com ele que eu aprendi que era possível viver fora do emprego tradicional, se virar com seu trabalho e viver de internet. Foi em um curso com ele, sobre conteúdo online, que eu tive as primeiras idéias do que viria a ser a desta.ca e, sobre tudo, a vontade de empreender.

Resumidamente - e num texto muito bem feito - seus conselhos são:

  • Deixe de ser um simples webdesigner e especialize-se;
  • Construa sua base de valor/hora, confrontando com o que conseguir no mercado;
  • Escolha um tema do qual você goste;
  • Encontre pessoas que tenham interesses semelhantes e converse com elas;
  • Escreva sobre o assunto regularmente e publique em seu site ou blog;
  • Escreva só coisa boa, com sinceridade e alma. E se for publicar sem receber por isso, publique somente nos melhores lugares, com os quais você se identifique.
  • Siga o lema da bandeira do estado do Espírito Santo: “trabalha e confia”
  • Tenha um emprego, mas pense no que gostaria de ser daqui há cinco anos;
  • Divirta-se! Aprenda a tocar um instrumento, arrume uma namorada…

Achei os conselhos ótimos! A revista também :)

Produtividade geek | O outro lado da coisa

Publiquei o artigo sobre produtividade geek no webinsider. É a 5a entre as 10 mais lidas do site. O interessante é que lá, diferente de cá, há bastante leitores que são administradores de empresa de TI e que não são geeks, por isso rolaram comentários muito polêmicos.

A discussão tem sido boa e eu penso que os dois lados, chefes e empregados, estão parando para pensar sobre esta questão. Os geeks defendem com garras e dentes que as liberdades são importantes e necessárias. Alguns administradores dizem que a liberdade faz cair a produtividade da empresa e que é arrogância nossa pedir este tipo de coisa.

Quero aproveitar para dar mais um pitaco, desta vez defendendo um pouco os chefes.

O Abujamra, no seu excelente programa na TV Cultura diz no final de cada episódio aos seus entrevistados: “diga o que quiser, enforque-se nas cordas da liberdade”. A liberdade às vezes é como a roda do carro que o cachorro persegue, quando o carro para e ele consegue a roda, não sabe o que fazer com ela.

O que estou tentando dizer é que há geeks e geeks. Digo, geeks que são bons profissionais, responsáveis, produtivos, e “geeks” que passam os dias brincando entre o orkut e o msn quando têm liberdade para isso.

Quero ressaltar que a liberdade deve ser condicionada à produtividade. Que o geek deve poder controlar seu ambiente, sua luz, seu horário, etc, para ser mais produtivo para a empresa.

O administrador que quiser correr o risco de ousar dar liberdade para os geeks deve ficar atento a isso: a produtividade deles aumentou ou diminuiu? Agora que não são interrompidos e têm privacidade para fazer o que quiserem, produzem mais ou menos ?

Eu não penso que os geeks são melhores que outros funcionários, só são diferentes. Geralmente eles gostam de trabalhar, desde que em certas condições e ambientes adequados, e quem trabalha porque gosta produz muito mais do que quem trabalha obrigado, irritado, estressado e por pura necessidade.

Tratar o geek como mais um empregado normal e ser rígido com seu ambiente e com as regras é dar um tiro no pé.

Produtividade geek | 10 razões porque saí do meu antigo emprego

Renata Rocha adaptou o excelente (com 2760 diggs) artigo de Nomadishere sobre o que os geeks - ou nerds, ou profissionais de TI, ou pessoas inteligentes :) - precisam para trabalhar sem stress e produzirem mais.

Assim como o Cardoso, são estes alguns dos principais motivos que me levaram a sair do meu antigo emprego e abrir uma empresa. Só sendo meu próprio chefe eu pude ter certeza de que não passaria por estes problemas novamente. Segue a minha própria adaptação do mesmo texto.

As 10 coisas que geeks precisam para viver e trabalhar em paz, sem stress e produzir mais:

1. Deixe que ele controle seu próprio horário.
Assim nós produzimos muito mais do que no horário em que somos obrigados. Entre 7 e 10 da manhã meu cérebro não funciona, não tem jeito. No entanto em nenhum outro horário sou mais produtivo do que entre as 2 e 4 da manhã. Cada pessoa tem seu horário em que produz mais e melhor. Geeks têm uma capacidade sobre-humana de fingirem que estão trabalhando enquanto estão dormindo.

2. Deixe que ele controle seu próprio ambiente de trabalho.
Não imponha regras “para todos” neste sentido, porque nós não somos iguais ao pessoal do administrativo e de vendas. Se ele quer se enfiar num canto da sala, longe de todos, deixe. Se puder deixá-lo escolher sua mesa, cadeira, lugar na sala, etc, será perfeito!

3. Deixe que ele controle sua própria luz.
Muita luz é ótimo para trabalhar com papeis e péssimo para trabalhar com computadores. Muitos geeks gostam de trabalhar à meia luz, por isso não imponha uma certa iluminação. Cansei de ter dores de cabeça por causa da luz forte demais, por não poder fechar uma maldita persiana.

4. Deixe que ele controle seu próprio (fone de) ouvido.
Para trabalhar direito, precisamos de concentração. Para isso, é preciso silêncio e/ou um fone de ouvido tocando algo barulhento - que na prática é a mesma coisa. Não deixar um nerd usar fones de ouvido é um pecado mortal.

5. Deixe que ele controle sua própria roupa.
Não somos homens de negócios. Que a roupa social fique para os advogados. Quanto mais confortavel e à vontade o geek está, mais produz.

6. Deixe que ele controle onde vai fora da empresa.
Podemos gostar de um evento social, ou não. Essas coisas não podem ser obrigatórias.

7. Deixe que ele controle quando quer falar ou não com você.
Se você precisa falar com um geek siga esta seqüência: a) Envie um e-mail dizendo o que quer; b) Caso seja algo urgente, fale pelo messenger; c) Se algo estiver explodindo e a escolha for entre interrompê-lo ou a falência da empresa, telefone ou fale diretamente com ele - mas só neste caso. De novo: precisamos de concentração! Quando você interrompe, levamos um tempão para entendermos o que estávamos fazendo novamente.

8. Deixe que ele controle se quer ou não fazer algo além do que aquilo que ele foi contratado para fazer.
Em empresas pequenas, principalmente, todo mundo acaba fazendo um pouco de tudo. Mas o geek ficará furioso (e isso VAI impactar furiosamente na produtividade dele) se for obrigado a fazer coisas que não são seu trabalho. Eu já fui obrigado a levar o lixo pra fora, atender telefone, lavar a louça, dar suporte técnico, fazer atendimento…

9. Deixe que ele controle quando e como acessa a internet.
Não adianta: a pessoa que você contratar para bloquear a internet não será mais inteligente que os geeks que você quer impedir de acessá-la. Se ela for, pode ter certeza de que pelo menos a metade do expediente do geek será gasta procurando um jeito de burlar o sistema. Eu poderia fazer outro artigo citando dezenas de modos (que já usei) de burlar esses bloqueios.

10. Conclusão: cobre produtividade, deixe que ele controle o resto.
Você entendeu: não controle o geek, deixe que ele controle todo o seu ambiente. Assim ele vai produzir mais. Mas hoje eu trabalho com geeks e sei que não posso deixar de controlar o trabalho da empresa. Eu acredito nisso: dê um desafio e liberdade a um programador e ele trabalhará mais, melhor, e com amor.

Você pode e deve cobrar os resultados. Pode cobrar que o prazo que ele mesmo deu a você seja cumprido, mas impor regras que não fazem sentido nenhum só fará com que a produtividade do geek caia, o stress aumente e ele procure outro jeito de ganhar dinheiro sem tanta dor de cabeça.

Comigo pelo menos foi assim :)
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