Netscape voltará ao modelo tradicional, mas social news tem seu lugar

netscape-tradicional.jpgAntigamente o Netscape.com era um canal tradicional de notícias. De repente eles resolveram entrar na onda de mídia social e tornaram-se um site de conteúdo gerado pelo usuário, similar ao digg.

Agora resolveram voltar atrás e virar um canal tradicional de notícias novamente. Em um comunicado dizem que vão providenciar outro local para o site de social news.

Nossa experiência com o Outrolado.

Quando nós pensamos no Outrolado, sabíamos que o caminho não deveria ser transformar o Webinsider em um site de social news. Em vez disso, criamos outro site para complementar seu conteúdo. Assim o Webinsider continua sendo um site mais tradicional e a comunidade de leitores que pedia um ambiente mais aberto foi ouvida.

Com o netscape foi a mesma coisa.

Eles descobriram (tarde demais?) que os leitores do portal netscape.com esperam da marca um canal de notícias tradicional. E foi em resposta a essa expectativa dos leitores que a AOL (dona do netscape.com) decidiu voltar atrás e separar o conteúdo gerado por usuários do conteúdo tradicional, dando preferência ao último.

Foi a decisão certa?

Assim como os blogs, me parece que os sites de mídia social ainda não têm a mesma credibilidade da mídia tradicional. Se isso é certo ou errado, se a mídia tradicional erra mais ou menos, é outra questão.

Mas o fato é que a mídia social veio para ficar e tem o seu lugar, cada marca deve pensar na melhor maneira de aproveitar isso. Talvez o Netscape tenha ido com muita sede ao pote para tomar o lugar do digg e não conseguiu. O que vocês acham?

Clones e criatividade.

Porque não chamamos o Google de Altavista-Clone?
Porque não chamamos o Gmail e o Yahoo Mail de Hotmail-Clone?
Porque não chamamos o Wordpress.com de Blogger-Clone?

Porque são serviços genéricos demais para pertencerem a uma única marca.

No entanto, toda vez que aparece por aí um novo site de social-news, é chamado de digg-clone, de maneira pejorativa. É o caso de sites como o Rec6, eu curti, Linkk, websapiens, entre tantos outros por aí.

Instale o Plig e sonhe em ser o digg brasileiro.

A maioria dos digg-clones brasileiros (exceto o Rec6) usam o Plig. Um sistema opensource de social news.

Não há absolutamente nada de errado em usar um software pronto. Pelo contrário, é ótimo contribuir para um projeto como estes. O problema é quando há falta de criatividade na hora de inventar o produto em si. Qualquer um pode instalar o Plig. Mas não é qualquer um que cria uma boa comunidade de notícias.

Se é pra criar um digg-clone, seja criativo.

Rogelio Bernal, criador do CoRank - um serviço para criar sua própria rede social de notícias - escreveu um artigo muito interessante sobre isso para o blog Read/Write Web.

Segundo ele, a maioria dos sites que utilizam o Plig por aí, principalmente os não-estadunidenses, são realmente digg-clones: têm o mesmo aspecto visual, o mesmo propósito, focam o mesmo nicho, o mesmo assunto, a mesma abordagem…

No entanto, na sua experiência no CoRank, ele viu aparecerem sites que utilizam o mesmo sistema de postagem e votação de links mas que são projetos muito criativos, muito diferentes do Digg.

Exemplos de criatividade.

Um exemplo muito interessante que ele mesmo citou é o vou ou não vou, um site onde o usuário posta perfís do orkut e os usuários votam nos melhores. Usa o mesmo sistema do digg, mas é completamente outra coisa.

Outros exemplos de utilização são: site de um político, para promover sua campanha e idéias; site de notícias sobre um determinado nicho de mercado, no caso de Capital de risco; enfim, há uma infinidade de idéias que podem ser exploradas dentro deste mesmo sistema.

O caso do outrolado.com.br

Quando criamos o outrolado.com.br, eu e Vicente Tadin, o editor do Webinsider, nos debruçamos sobre modelos que já estavam fazendo sucesso por aí. Entre eles o slashdot, o overmundo, o SP450 e também digg.

Mas a proposta do outrolado, embora seja o mesmo assunto que o digg (que o webinsider já abordava desde muito antes do digg existir), é bem diferente do digg: não publicamos links, mas matérias completas. Além disso nós repartimos a receita gerada através de Adsense com os colaboradores.

Conclusão

Não há nenhum problema em usar um modelo já estabelecido de negócio. Muito pelo contrário. Mas é muito importante ser criativo e fazer um bom produto. Copiar um site sem acrescentar nada ao modelo não é uma boa receita para o sucesso. No mínimo, alguém que copia um site de sucesso deve ter a pretensão de se diferenciar neste mercado e fazer melhor do que o anterior.

WeShow é agregador de vídeos lançado por Brasileiros

weshow

O Marcos Wettreich, o criador do Ibest, e Bruno Parodi estão lançando hoje o weshow. Um site que agrega vídeos de serviços como youtube, google vídeo, etc. O Fábio Seixas é o diretor de marketing mundial do projeto.

Os criadores do site dizem que lá as pessoas poderão ver “os melhores vídeos da internet”. Mas o site não usa a participação do usuário para definir quais são “os melhores”, em vez disso, o WeShow conta com uma equipe de “surfers”, supervisores e editores que aprovam e publicam o conteúdo do site.

Um time tão grande de editores não poderia ser sustentavel sem um gordo investimento. São US$ 8 milhões. 2 milhões saídos do próprio bolso de Wettreich, e o restante proveniente da primeira rodada de investimento de risco. Entre os investidores Marcos cita os nomes de Bob Pittman, que criou a MTV em 1981, e de Bill Sahlman, professor da cátedra de empreendedorismo da Harvard Business School.

A participação do usuário aparece em outra área, no prêmio WeShow, que segue os passos do Ibest, onde os usuários votam nos conteúdos. O site tem ainda uma TV, com conteúdo próprio, onde VJs comentam os vídeos sobre diversos assuntos.

Na minha opinião, no Brasil o site deve ser um sucesso. Mas lá fora, concorrerá diretamente com agregadores que usam a participação dos usuários para gerar conteúdo, como o Digg e o Netscape. Aí a briga fica feia, porque eu sinto que estes últimos têm um potencial muito maior de gerar e manter uma comunidade do que o WeShow. E é bom lembrar que o YouTube foi comprado por causa da sua comunidade, não pela tecnologia.

Mas o WeShow é, sem dúvida, um trabalho executado de maneira excelente e com um enorme potencial neste novo mercado. Torço para que dê certo.

Saiba mais detalhes no release e no IDG Now.

Somente 1% dos usuários participam, mesmo ?

Segundo o Guardian Unlimited está surgindo uma onda de pensamento que sugere que se você tem um grupo de 100 pessoas online, um criará conteúdo, 10 vão interagir com ele (comentando ou sugerindo melhorias) e os outros 89 vão apenas vê-lo. Será ?

A afirmação se baseia em estatísticas de sites como Youtube e Wikipédia. Mas será que, mudando o publico alvo, a facilidade de publicação de conteúdo, o tipo de conteúdo, entre outros parâmetros, a quantidade de usuários participando e criando conteúdo não muda junto ?

O Outrolado, por exemplo, tem 300 usuários cadastrados (em aproximadamente um mês de vida). Se somente 1% criassem conteúdo, teríamos três pessoas enviando matérias. No entanto nós temos mais 230 artigos e 100 links enviados, ou seja, quantidade de participações (criação de conteúdo) em um mês foi maior que a quantidade de usuários cadastrados. Não tenho dados concretos, mas pelo que acompanho, tenho certeza que a porcentagem de usuários que criam conteúdo é bem maior que 1%.

Entretanto, a despeito de uma lei com números fixos, é muito importante ter em mente que a maioria dos usuários vêm o conteúdo passivamente, uma porcentagem menor comenta/interage/vota e uma porcentagem menor ainda cria o conteúdo. Essa informação é muito util no planejamento de qualquer site colaborativo.

Peço aqui publicamente a opinião dos amigos que têm sites colaborativos (Fábio Seixas, Renato Shirakashi, Rodolfo Siroka… esqueci alguém ?) sobre sua experiência, em seus casos específico, quanto a esta regra do 1%. Peço também a opinião dos leitores: essas regras servem pra alguma coisa ?

Update: O outrolado teve 5000 visitantes únicos neste mês, 300 cadastro e 450 envios de conteúdo, o que bate razoavelmente com os números da matéria do guardian.

Yahoo e Dell lançam digg-clones para receber sugestões dos usuários

Há um novíssimo movimento na web: digg-clones para receber e filtrar a popularidade de sugestões para empresas. Dois gigantes lançaram seus serviços na semana passada: Yahoo e Dell.

A Dell lançou o ideastorm, um serviço no qual os usuários podem postar, votar e discutir sugestões e idéias a respeito de produtos e serviços da empresa. Exatamente a mesma coisa que o Yahoo Suggestion Board.

Isso demonstra que o modo peculiar do digg.com de promover idéias, através de um sistema de voto único em vez das tradicionais cinco estrelas e um algoritmo que seleciona o melhor conteúdo, é reconhecido como uma inovação que veio para ficar.

Me parece que aproveitar a inteligência coletiva para agregar valor aos serviços das empresas, formando assim uma comunidade, é uma forte tendência para os próximos anos. É provável que apareçam várias empresas entrando na moda, mas será que isso um dia vai ser tão comum quanto o famoso SAC?

[+ Outrolado]

Overmundo lança agregador de blogs

Na mesma semana em que lançamos o nosso modesto agregador de blogs sobre web 2.0: w2br.com, o overmundo lançou um sistema que agrega blogs sobre cultura, chamado overfeeds (sim, o nome é todo em inglês, mas acredite: é sobre cultura brasileira). Leia abaixo uma cópia (autorizada) da postagem original de Viktor Chagas sobre a novidade:

Acompanhe o raciocínio: se cada um de nós fosse um blog, o mundo seria o Overfeeds. Está boiando? Não entendeu patavinas? Explico: o Overmundo lançou esta semana, ainda em caráter experimental, sua mais nova ferramenta, uma espécie de agregador de blogs e posts sobre cultura produzida no Brasil ou em comunidades brasileiras mundo afora, batizada de Overfeeds.

A idéia é integrar blogueiros que falam a “língua” da cultura. Você posta no seu blog e seu post vai parar no Overfeeds, tudo automaticamente, via RSS. E cada post entrará na página inicial do Overfeeds como uma chamada e um pequeno sumário (um resumo do seu texto), seguidos de um link para que o texto completo possa ser lido diretamente no seu blog de origem. Ou seja, você não perde visitação, só ganha. E ainda pode ser votado para se tornar um dos destaques do Overfeeds.

Os votos, é claro, são dados pela própria comunidade do Overmundo, e você, se quiser, pode colocar um botãozinho no seu blog para que as pessoas possam votar a partir dele também.

O Overfeeds nasceu da percepção de que muitas pessoas republicavam os posts de seus blogs no Overmundo. Portanto, atende a uma demanda da própria comunidade, já que pretende facilitar esse processo: não é mais preciso publicar o texto no seu blog e republicá-lo no Overmundo, basta cadastrar o seu feed no Overfeeds e pronto!

Também vale lembrar que o Overfeeds é uma ferramenta nova em termos de desenvolvimento (por isso mesmo ainda estamos em caráter experimental). Há propostas que têm algo em comum, como o recém-lançado Yahoo Pipes, e outras que guardam uma reminiscência distante, como o Digg e o Google News, mas o Overfeeds é um serviço “inédito”, mesmo entre os agregadores de blogs. Nele, você encontrará o sistema de overpontos e karma dos blogs como os overpontos e karma dos perfis que temos por aqui, no Overmundo.

Com a novidade, os blogs hospedados no Overmundo passam automaticamente a serem “hospedados” pelo Overfeeds e para acessá-los, agora, basta digitar http://www.overmundo.com.br/overfeeds ou clicar em Overfeeds na barrinha azul aí em cima. O endereço antigo de cada blog (com o http://www.overmundo.com.br/blogs/nome-do-blog) também continua valendo. E os blogs hospedados em outros serviços, sem dúvida, serão sempre bem-vindos.

Se você gostou da idéia, pode cadastrar seu blog no Overfeeds, preenchendo o endereço de RSS (ou RSS2), e mandar brasa. Como eu dizia, se cada um de nós fosse um blog, o mundo seria o Overfeeds.

Parabéns para todos da equipe do overmundo, o sistema ficou mt redondo (como sempre) e a idéia é excelente.

[alguns direitos reservados para esta postagem]

A nova cara do [Outrolado]

outrolado-novo.jpg

Nesta semana nós, da desta.ca, fizemos outra interface para o [Outrolado]. Eu mesmo fiz o design gráfico, que deveria se parecer com o “site pai”, Webinsider, mas de um modo mais informal, enfatizando a característica independente do novo social news brasileiro.

O que vocês acharam? Melhorou?