iPhone desbloqueado será destruido

iphone.jpgSegundo o G1, a Apple está prometendo que os iPhones que foram desbloqueados vão bricar, vão virar um bonito monte inútil de plástico e metal, na próxima atualização de software feita através do iTunes.

E sem garantia.

“Não estamos tomando medidas pró-ativas para desativar iPhones que tenham sido hackeados ou desbloqueados”, disse Phil Schiller, vice-presidente mundial de marketing de produtos da Apple. Segundo ele, um iPhone que deixe de funcionar devido ao uso de software de desbloqueio perderá a garantia.

A apple é uma empresa fechada.

Dizem que uma das qualidades da apple é que ela cuida não somente do software mas também do hardware. Dizem que quem é sério sobre software, faz seu próprio hardware. A apple é assim mesmo. Mas isso tem um lado ruim: eles têm controle total sobre o produto, mesmo depois que ele já foi vendido.

Tudo na rede é bom?

O iPod é um caso maravilhoso de “software acima de um único dispositivo”, uma das regras da web 2.0. Mas o fato de o hardware depender de um software que por sua vez está sempre online e recebe atualizações online, dá um certo controle total do produto à apple, que nem sempre é o melhor para o usuário.

Teoricamente, a partir do instante que você comprou seu iPhone, ele é seu e você pode fazer o que quiser com ele. Também não é justo querer que uma empresa dê suporte a um produto que foi desmontado e teve seu software e hardware mexido.

Mas, por mais que Phil Schiller diga que eles não estão trabalhando ativamente para destruir os iPhones hackeados, é muito estranho que divulguem que na próxima atualização estes aparelhos deixarão de funcionar.

Este é um dos lados ruins do “software acima de um único dispositivo”: se a empresa quiser, ela pode destruir um produto que é seu através de uma simples atualização.

Nesse sentido, a microsoft até que é legal: seria simples também para eles destruirem um computador que use o windows pirata. Em vez disso, eles somente colocam a tal mensagem de que “você foi vítima de pirataria”… Até porque uma atitude como essas provavelmente levaria a uma corrida desefreada para o software livre: tudo que a MS tem medo.

Aí vem a pergunta: até que ponto a Apple tem o direito de destruir os iPhones desbloqueados?

Google deve abrir seu Grafo Social em 5 de Novembro!

Terminei o artigo de ontem, sobre a abertura do Grafo Social, dizendo que “O Google em especial, se leva a sério sua preocupação com o usuário e sua relação com a cultura livre, deve dar boa atenção a este assunto.” Parece que foi uma profecia que se realizou mais cedo do que eu esperava.

Acontece que Brad Fitzpatrick, que citamos como sendo um dos mentores do movimento de abertura do Grafo Social, era arquiteto chefe da Six Apart, mas desde Agosto é empregado do Google. Isso não diz tudo?

A reunião super secreta.

Segundo Michael Arrinton, em uma reunião super secreta - mas não tão secreta que ele não pudesse saber um bocado a respeito - no Google, com os principais luminares da indústria, foram acertados os detalhes dos planos da empresa de abrir os seus dados sociais, com a intenção principal de vencer o Facebook.

Remember, remember, the 5th of november.

Segundo o blogueiro, dia 5 de novembro o Google vai anunciar um novo conjunto de APIs que vão permitir que desenvolvedores utilizem os dados do Grafo Social do Google. Eles vão começar com o Orkut e iGoogle, e expandir a abertura dos dados a partir daí para incluir o Gmail, Google Talk e outros serviços.

gluey.pngHá um perigo, mas Brad Fitzpatrick está no comando.

Como dissemos no artigo anterior, deixar que uma empresa privada controle o Grafo Social é muito perigoso. No entanto, dizem que Brad Fitzpatrick estaria no comando do trabalho no Google, o que é um ótimo sinal, desde que ele siga seus próprios preceitos.

GoogleID não! OpenID!

Como pai do OpenID, Brad sabe que, da mesma forma que com a identidade virtual das pessoas, o Grafo Social não pode ser controlado por uma empresa. Não precisamos de um GoogleID, precisamos de algo como o OpenID, que é mantido por uma entidade sem fins lucrativos. Da mesma forma, esperamos que o Grafo Social seja o mais aberto e livre possível.

Oportunidades incríveis no mercado brasileiro

Dizem que no Brasil, estar na Internet significa: MSN e Orkut. Observe as lanhouses e os computadores do Macdonalds - geralmente quase todos estão no orkut. Agora, com a API do orkut e todos estes dados disponíveis, imagine a quantidade de oportunidades que surgem para novos softwares sociais… Imaginou? E ainda está aí parado?! :)

Sem dúvida, com o novo padrão aberto, as tantas comunidades que já existem terão que escolher entre se adaptar ao padrão ou serem abandonadas.

Aqui vale uma das regras básicas da Web 2.0, a da A Lei da Conservação de Lucros, como explica O’Reilly: “Lembre-se de que em um ambiente de rede, APIs abertas e protocolos padrões vencem, mas isso não significa que a idéia de vantagem competitiva vá embora.

Mas não é somente dinheiro.

Na minha opinião, este é um momento histórico. A abertura do Grafo Social e as diversas maneiras como ele será aproveitado pelos desenvolvedores devem mudar radicalmente no futuro a maneira como nós nos relacionamos. Isto é: vai mudar o mundo!

O que é grafo social e quem pode controlá-lo?

Nas Redes Sociais vale a regra do bar: não importa muito a qualidade do bar em si, importa mais se meus amigos estão lá ou não.

Mas imagine se, depois de seus amigos começarem a se encontrar em um certo bar, este estabelecimento fosse dono do direito do grupo se conhecer e se reunir em um lugar? Se fosse terrivelmente difícil para o grupo se encontrar em outro lugar? E se este bar começasse a servir cerveja quente e vocês não pudessem se encontrar em um que tem cerveja gelada?

Nas redes sociais online é isso que acontece. Brad Fitzpatrick, criador do OpenID, e David Recordon, da Six Apart, estão leventando a discussão sobre isso, com propostas bem concretas. Segundo eles, o Grafo Social deve ser aberto.

O que é Grafo Social.

grafo socialEm matemática, um grafo é um conjunto de pontos conectados por linhas (como na ilustração ao lado). Grafo é uma abstração utilizada para modelar a relação entre coisas.

Esta teoria é também utilizada para relacionar as pessoas em uma rede social. A minha rede social é o conjunto de pessoas às quais eu estou relacionado de alguma forma. Segundo Brad Fitzpatrick, o “Grafo Social é um mapa global de todas as pessoas e como elas estão relacionadas”.

O problema dos sites sociais é que não existe um só grafo social, existe um no orkut, outro no flickr, outro no twitter, outro no facebook…

Quem é dono da sua rede social?

No orkut, por exemplo, há uma lista de 100 pessoas que eu conheço. Como eu não aceito no orkut ninguém que eu não conheça, estes 100 são todos amigos meus. Essa lista de pessoas que eu conheço foi criada dentro do Orkut, mas fui eu que a criei. Eu não deveria ser dono dela, ou pelo menos ser livre para poder utilizá-la como quisesse?

Ser dono da sua rede social significa poder, com um clique, utilizar essas informações em qualquer programa, não somente no Orkut. Isto é, sua rede social deve ser portável. Mais do que portável, a rede social deve ser livre (no mesmo sentido de liberdade usado em “software livre”).

Manifesto do Grafo Social Livre

A idéia é criar um padrão para o grafo social, como há com o RSS e ATOM para distribuição de conteúdo. Esta é a proposta de David Recordon a respeito da abertura do Grafo Social:

  • Você deveria ser dono da sua rede social
  • Privacidade deve ser levada a sério, deixando o controle nas suas mãos.
  • É bom ser capaz de encontrar aquilo que já é público sobre você na internet.
  • Todo mundo tem várias redes sociais, e elas não precisam estar sempre conectadas.
  • Tecnologias abertas são os melhores meios para se resolver estes problemas.

Importar contatos de email é muito perigoso.

Há pouco tempo atrás nós vimos a via6 passando por problemas sérios por causa de convites enviados indevidamente para todos os contatos das pessoas.

Há várias redes sociais que tentam importar seus contatos de email e adicioná-los. Isso é muito perigoso. No caso do gmail, por exemplo, o mesmo login e senha dá acesso não somente ao seu e-mail (que já tem informações confidenciais suficientes para você não dá-lo a ninguém), mas também aos documentos no google docs, às estatísticas do seu site no google analytics, etc…

Importar contatos de email é um péssima solução para a portabilidade da sua rede social.

O ideal é que haja uma solução livre.

O maior diferencial competitivo entre uma rede social e outra é o seu grafo social. Informação é poder. Controlar os dados do grafo social é o sonho de qualquer empresa. No entanto, é muito perigoso deixar algo tão importante nas mãos de uma empresa privada, cujo objetivo final é ganhar dinheiro.

Assim como o OpenID busca resolver o problema de identidade online de maneira aberta, para que nenhuma empresa tenha o controle sobre isso e também para evitar que você precise criar um novo login e senha (ou seja, uma nova identidade) para cada serviço que você entrar, a idéia é criar uma solução livre que te dê o controle sobre sua rede social.

Os objetivos do movimento.

De acordo com Brad Fitzpatrick, os objetivos do movimento de abertura do grafo social são os seguintes:

1. Tornar o Grafo Social um recurso comunitário, utilizando informações de diversos sites sociais, mas descentralizando o controle, de maneira a não depender de nenhuma empresa, e sem deixar que qualquer empresa seja dona do grafo.

2. Para desenvolvedores, uma API do grafo social deve fornecer dados como:

a) Equivalência da identidade: “@gilbertojr” no twitter é o mesmo que “Gilberto Alves Jr” no Orkut, que é o mesmo que…

b) Todas as relações entre cada pessoa, quem é amigo de quem, etc…

c) Controle sobre quem é amigo de quem e onde - exemplo: “gilbertojr” é amigo de “fulano” no facebook, de “ciclano” no orkut…

d) Mostrar amigos que estão em uma determinada rede, mas estão faltando em outra.

3. Para o usuário final.

a) Quando um usuário se identificar em uma rede social (ideal, mas não necessariamente através do OpenID), deveria ver uma mensagem assim “Oi, nós percebemos através de informações públicas de outros lugares que você já tem 28 amigos usando esta rede social. Estes amigos estão relacionados abaixo, junto com o motivo pelo qual recomendamos eles (quais nomes eles usam em outras redes sociais). Quais deles você quer que sejam seus amigos aqui?”

b) Dar ferramentas para que o usuário controle suas redes sociais, sincronizando umas com as outras e controlando quais informações aparecem para quem.

c) Transformar o grafo social de cada usuário em um documento tão portável quando qualquer outro em um computador. (sem jamais usar o termo técnico “grafo social” com o usuário final).

Conclusão.

Esse assunto é realmente fascinante. Eu penso que no futuro as empresas perceberão que têm muito mais a ganhar com a abertura deste tipo de dado do que a perder. O Google em especial, se leva a sério sua preocupação com o usuário e sua relação com a cultura livre, deve dar boa atenção a este assunto.

Então, o controle sobre a rede social deixará de ser o grande diferencial entre uma rede e outra, e o que vai realmente importar não será se meus amigos estão ou não neste bar, mas a qualidade do bar em si. Será possível tomar a cerveja gelada deste bar, comer os salgadinhos do outro, ouvir a música de um terceiro, tudo isso ao mesmo tempo, junto com seus amigos.

Será absolutamente fácil transportar meus contatos entre um e outro software social. Com este tipo de abertura e a competição no nível do produto em si, todos temos muito a ganhar.

Como disse Alex Iskold, do blog Read Write Web, a questão parece simples na superfície, mas há uma quantidade gigantesca de trabalho para fazer isso acontecer realmente. E este é um trabalho da comunidade de software livre que deve ter um impacto gigantesco na história da humanidade e na maneira como as pessoas se relacionarão daqui pra frente.

Clones e criatividade.

Porque não chamamos o Google de Altavista-Clone?
Porque não chamamos o Gmail e o Yahoo Mail de Hotmail-Clone?
Porque não chamamos o Wordpress.com de Blogger-Clone?

Porque são serviços genéricos demais para pertencerem a uma única marca.

No entanto, toda vez que aparece por aí um novo site de social-news, é chamado de digg-clone, de maneira pejorativa. É o caso de sites como o Rec6, eu curti, Linkk, websapiens, entre tantos outros por aí.

Instale o Plig e sonhe em ser o digg brasileiro.

A maioria dos digg-clones brasileiros (exceto o Rec6) usam o Plig. Um sistema opensource de social news.

Não há absolutamente nada de errado em usar um software pronto. Pelo contrário, é ótimo contribuir para um projeto como estes. O problema é quando há falta de criatividade na hora de inventar o produto em si. Qualquer um pode instalar o Plig. Mas não é qualquer um que cria uma boa comunidade de notícias.

Se é pra criar um digg-clone, seja criativo.

Rogelio Bernal, criador do CoRank - um serviço para criar sua própria rede social de notícias - escreveu um artigo muito interessante sobre isso para o blog Read/Write Web.

Segundo ele, a maioria dos sites que utilizam o Plig por aí, principalmente os não-estadunidenses, são realmente digg-clones: têm o mesmo aspecto visual, o mesmo propósito, focam o mesmo nicho, o mesmo assunto, a mesma abordagem…

No entanto, na sua experiência no CoRank, ele viu aparecerem sites que utilizam o mesmo sistema de postagem e votação de links mas que são projetos muito criativos, muito diferentes do Digg.

Exemplos de criatividade.

Um exemplo muito interessante que ele mesmo citou é o vou ou não vou, um site onde o usuário posta perfís do orkut e os usuários votam nos melhores. Usa o mesmo sistema do digg, mas é completamente outra coisa.

Outros exemplos de utilização são: site de um político, para promover sua campanha e idéias; site de notícias sobre um determinado nicho de mercado, no caso de Capital de risco; enfim, há uma infinidade de idéias que podem ser exploradas dentro deste mesmo sistema.

O caso do outrolado.com.br

Quando criamos o outrolado.com.br, eu e Vicente Tadin, o editor do Webinsider, nos debruçamos sobre modelos que já estavam fazendo sucesso por aí. Entre eles o slashdot, o overmundo, o SP450 e também digg.

Mas a proposta do outrolado, embora seja o mesmo assunto que o digg (que o webinsider já abordava desde muito antes do digg existir), é bem diferente do digg: não publicamos links, mas matérias completas. Além disso nós repartimos a receita gerada através de Adsense com os colaboradores.

Conclusão

Não há nenhum problema em usar um modelo já estabelecido de negócio. Muito pelo contrário. Mas é muito importante ser criativo e fazer um bom produto. Copiar um site sem acrescentar nada ao modelo não é uma boa receita para o sucesso. No mínimo, alguém que copia um site de sucesso deve ter a pretensão de se diferenciar neste mercado e fazer melhor do que o anterior.

Busca Wiki será melhor que o Google?

Eu gosto do Google. Eu uso quase todos os seus produtos, gosto da maneira como a empresa se relaciona com a comunidade e gosto da sua filosofia. Mas nada disso sequer se compara a um bom projeto open source, como o linux ou a wikipédia, por exemplo.

Google e a comunidade Opensource

Embora o Google utilize bastante software opensource, quase tudo que eles fazem é proprietário. Uma das maneiras de recompensar a comunidade do software livre é empregando diretores de desenvolvimento de alguns programas, o internet messenger Pidgin (antigo Gaim) é um deles.

Mas será que é o bastante?

Sendo a busca uma parte tão essencial da estrutura da internet, será que é saudavel que ela fique nas mãos de uma empresa e de software proprietário? A falta de liberdade, comunidade e transparência são problemas sérios quando se trata de algo tão importante quanto os resultados de uma busca na internet.

Wikia lança o desafio de superar google com busca opensource.

Wikia, a empresa por trás do software da Wikipédia e muitos outros projetos similares, comprou recentemente o Grub um web crawler que utiliza computação distribuida para indexar sites de toda a web e deve abrir o código como um software livre.

Desta maneira, Jimmy Wales, o fundador da empresa, pretende aproveitar a inteligência da comunidade de programadores e editores, como fez no caso da wikipédia, para criar um excelente buscador, com todos os benefícios do software livre.

Os quatro princípios do Search Wikia são:

1. Transparência - A maneira como sistemas e algoritmos operam devem ser abertas, tanto em forma de licenças open source como de conteúdo aberto e APIs.

2. Comunidade - Todos podem contribuir de algum jeito (como indivíduos ou organizações). Forte foco na comunidade e sociedade.

3. Qualidade - Melhorar significativamente a relevância e precisão dos resultados e da experiência de busca.

4. Privacidade - Deve ser protegida, não guardar ou transmitir qualquer dado de identificação.

Mais poder para publicadores.

Wales disse em entrevista à Reuters: “Se nós conseguirmos ter boa qualidade nos resultados de busca, eu acho que isso realmente mudará a balança de poder, saindo das empresas de busca de volta para os publicadores de conteúdo.”

Será?

Na sua opinião, a comunidade de software livre tem força suficiente para bater nos gigantes da busca?

Lawrence Lessing: contra a “corrupção”

Conhecido por lutar pela free-culture (creative commons, software livre, entre outras coisas) Lawrence Lessing decidiu recentemente procurar um alvo maior. Conforme disse Jimmy Guterman, Lawrence agora lutará contra a corrupção que gera todo tipo de leis ruins, não somente as leis ruins relacionadas aos “direitos de cópia”.

Aqui no Brasil o buraco é mais embaixo.

Já que 75% da população são analfabetos funcionais, nem faz muito sentido lutarmos pelos direitos de cópia, já que uma parcela considerável da população não tem acesso a coisas muito mais básicas como casa, comida, saúde, educação e trabalho.

Aqui a corrupção está ligada ao dinheiro de maneira muito mais sórdida do que no contexto de Lawrence. Lá os políticos se comprometem a fazer leis que beneficiam quem tem dinheiro em troca de apoio financeiro para a próxima campanha política - do contrário, não terá recursos para se reeleger. Aqui o político recebe dinheiro vivo, em espécie e para fazer o que quiser, em troca de benefícios diretos para os corruptores.

Lá a corrupção gera leis ruins. Aqui gera fome.

Eu sou totalmente simpático à “copyfight”, a luta contra leis abusivas de controle da chamada “propriedade intelectual”. No entanto, acredito que nós no Brasil poderíamos, seguindo o exemplo do Lawrence, e lutar por problemas muito mais sérios.

Lutar pelo software-livre parece ridículo enquanto vemos que nosso povo não é livre sequer para estudar, trabalhar, morar e viver com saúde e dignidade.