Tropa de Elite e a luta pela cultura livre

Depois da entrevista do Mano Brown ao programa Roda Viva, resolvi ouvir toda a discografia dos Racionais. Coloquei tudo no iPod e fiquei mais de uma semana, só ouvindo o retrato deles da periferia paulistana.

A violência dos morros.

tropa_de_elite.jpgJá tendo ouvido tudo mais de uma vez, fui ver Tropa de Elite no cinema. Pra mim foi como ver, aquilo que passei uma semana ouvindo.

O filme é muito mais violento do que eu suporto. É, de longe, o filme mais violento que eu já vi. Filmes de terror, como Jogos Mortais ou O Albergue, não me afetam, porque sei que são ficção.

Mas Tropa de Elite retrata algo muito mais próximo da realidade da periferia dos grandes centros urbanos, como disse o Chico Buarque: a periferia da periferia da periferia.

Um soco na cara.

Eu cheguei a ficar literalmente enjoado, não sei se por causa da violência,
da câmera chacoalhando, ou do gnocchi com muito queijo que comi no Spoleto. Diferentemente de Cidade de Deus, o filme não é bonito. É feio. Não tem poesia. É um soco na cara da gente.

Ao ver a ação do bope, eu percebi que sérá muito mais difícil e levará muito mais tempo para mudar certas coisas no Brasil do que eu jamais imaginaria.

Internet ajudou o filme a ser um sucesso.

Veja o que Michel Lent diz sobre isso no webinsider:

Levando em consideração que a bilheteria do cinema é parte impulsionada pelas campanhas de marketing, mas principalmente alavancada pelo boca-a-boca, Tropa de Elite já contaria neste momento com milhões de “agentes” de marketing.

Quem viu a versão pirata diz que o filme é muito bom; boa parte, inclusive, quer ver novamente no cinema. Se metade dos três milhões de espectadores resolver ir ao cinema de novo e convencer pelo menos mais duas pessoas, o filme já faria perto dos cinco milhões de espectadores.

“Pirataria” e a luta pela cultura livre

A questão sobre a legalidade de se baixar filmes e música na internet ainda não é absolutamente clara. Não há consenso absoluto se, no Brasil, é ilegal fazer isso. Mas há quem lute para que não seja, para que a informação não possa mais ser controlada como propriedade privada em nenhum lugar e para que a internet não seja controlada por nenhum governo.

Eu me recuso a chamar quem baixa arquivos na internet de pirata. Concordo com John Perry Barlow, que sintetiza de maneira clara a posição da luta pela cultura livre:

Piratas são pessoas malvadas que atacam embarcações no alto mar, matam todos a bordo e roubam tudo o que tiver valor. Não são pessoas que encorajam outros a ouvir as mesmas músicas de que eles gostam. Além disso, não vejo como alguma coisa possa ser roubada se ainda a tenho. Propriedade é algo que pode ser tirado de alguém.

Se não estará provado, pelo menos haverá mais um caso no qual a distribuição livre da informação mais ajudou a gerar receita do que atrapalhou.

Números do primeiro fim de semana: 180 mil só no Rio e em São Paulo

O filme teve um incrível sucesso o primeiro fim de semana. O longa levou aos cinemas 180 mil espectadores no seu primeiro fim de semana. Foram 140 cópias exibidas em 171 salas, o que dá uma média de 1.052 espectadores por sala. 48% maior, por exemplo, que a “A Grande Família”, o filme brasileiro mais visto em 2007.

Já, se comparado a “Carandiru” – o nacional que teve a melhor a abertura desde a retomada –, o Tropa de Elite ficou 38% abaixo. Em relação a “Cidade de Deus” foi 90% melhor. E ainda, comparado a “Dois Filhos de Francisco” - o filme brasileiro que alcançou o maior número de espectadores nos últimos anos –  teve um desempenho 46% acima.

(fonte: Banco de dados do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do município do Rio de Janeiro. Via Chico Neto no Radinho)

Haverá uma mudança de atitude?

Aos poucos o próprio mercado está percebendo que na internet nao adianta, e não vale a pena, tentar controlar a informação e mantê-la como propriedade privada. Jornais como o NY Times recentemente liberaram seu conteúdo, que antes era pago. Lojas de música como a nova da Amazon estão vendendo arquivos para download sem DRM.

Será que vai demorar até a indústria cinematográfica entender como funciona a internet?

Sketchcast | Fale e desenhe, depois publique no seu blog

Quando estou conversando com um cliente, principalmente quando o assunto é arquitetura de informação e design de interface, eu rabisco muito durante a conversa. Geralmente um rascunho torna fácil de entender coisas que falando são complicadíssimas.

Essa sempre foi uma das tantas vantagens de se fazer uma reunião real ao invés de conversar via internet. Na web não dá pra rabiscar e o outro ver seu rabisco imediatamente.

Com blogs é a mesma coisa. Geralmente nós levamos até uma hora para escrever um artigo que o leitor vai ler em 5 minutos. Não seria muito mais fácil explicar certos conceitos se pudéssemos falar e rabiscar ao mesmo tempo?

Sketchcast é a nova arma do blogueiro.

A empresa Arc90, aproveitando a idéia de um blogueiro, fez o Sketchcast. Um programa online que te dá uma lousa virtual, na qual você pode rabiscar e falar ao mesmo tempo. Tudo é gravado em um vídeo, que pode ser embedado inserido no seu blog, como um vídeo do youtube. O programa já nasceu com uma tradução (ruinzinha) para português.

Adorei a idéia.

Desenhos explicando conceitos complexos me lembram imediatamente o saudoso blog da Kathy Sierra. O que eu mais gostava no blog dela era que bastava olhar para a ilustração e você já entendia tudo que ela queria dizer nas suas (geralmente enormes e maravilhosas) postagens.

Fiz um Sketchcast para testar o programa (veja abaixo) que é bastante leve, fácil de usar e rápido. Mas em vez de fazer algum desenho que explique o que eu estava dizendo, acabei fazendo um doodle.

[via Techcrunch]

Simpsons no cinema é outra coisa

spider pig Ouvi dizer que Os Simpsons no cinema é igual ao seriado na TV, e por isso mesmo, ótimo. Eu discordo. Cinema é outra coisa. Digo meus motivos:

1. A experiência coletiva (dezenas de pessoas gargalhando) do cinema é totalmente diferente.

2. O desenho no filme é tecnicamente muito, muito mais elaborado. Um show. (Atenção para os centenas de nomes chineses nos créditos.)

3. O ritmo das piadas, ao contrário do que eu esperava, no filme é muito mais acelerado que no seriado. É uma piada atrás da outra, sem parar.

4. É comum depois de algumas horas entre amigos, mas eu nunca havia tido caimbra no rosto de tanto rir no cinema.

5. O filme tem piadas que só poderiam ser feitas em um filme, que na TV não teriam sentido. (Não vou contar pra não estragar)

“Sequel ?”

Vocês acham que o filme vai ter continuação? Na minha opinião, pelo sucesso que este tem sido, deve sair um novo simpsons a cada dois anos, pelo menos. Uma série que está a tanto tempo no ar, certamente não vai perder assunto ou deixar de ser interessante tão cedo :)

IPTV está longe de ser realidade?

tv iptv

Com a ascensão do youtube e de IPTVs como o Joost, fica cada vez mais próxima a idéia de abandonarmos a televisão tradicional e ficarmos com a TV pela internet.

Mas será que esta mudança acontecerá logo?

Nick Gonzalez, do blog techcrunch diz que aparentemente, a internet não está pronta para a IPTV. Citando uma reportagem da Financial Times, o blogueiro diz que a internet não foi criada com a visão de distribuir vídeos.

O blog NewTeeVee afirma que a velocidade da conexão de banda larga americana ainda está longe de ser suficiente para a transmissão de vídeos com qualidade. Somente a infraestrutura em países como o Japão (onde é normal ter conexões de 100Mbps) daria conta da IPTV.

Os canais de TV estão morrendo.

Paralela a esta discussão, o blog Read/Write Web fala sobre o fim dos canais de TV como os conhecemos hoje. Segundo Josh Catone, a popularização do TiVo, do download de vídeos nas redes de P2P, demonstram uma migração para um novo conceito de TV, no qual não faz mais sentido ver “aquilo que está passando agora”, mas o usuário deveria ter liberdade para escolher o programa que quer ver, na hora que quiser.

E no Brasil, mal e mal a internet se popularizou…

Quanto mais longe está a nossa internet de ocupar o lugar das TVs. Somente agora algumas operadoras de TV a cabo começaram a vender aparelhos similares ao TiVo. Nossas conexões ainda são fusquinhas se comparadas aos trens-bala dos japoneses. Aqui a rede globo pode ficar tranqüila: vai demorar para aparecer algo que a substitua à altura.

iPhone não! Quero um liquidificador BlendTech!

Depois de ver este vídeo eu decidi: não quero mais um iPhone. Quero mesmo é um liquidificador BlendTech:

Mas se alguém quiser me dar um iPhone desbloqueado - quando conseguirem desbloquear - eu não vou fazer desfeita.

WeShow é agregador de vídeos lançado por Brasileiros

weshow

O Marcos Wettreich, o criador do Ibest, e Bruno Parodi estão lançando hoje o weshow. Um site que agrega vídeos de serviços como youtube, google vídeo, etc. O Fábio Seixas é o diretor de marketing mundial do projeto.

Os criadores do site dizem que lá as pessoas poderão ver “os melhores vídeos da internet”. Mas o site não usa a participação do usuário para definir quais são “os melhores”, em vez disso, o WeShow conta com uma equipe de “surfers”, supervisores e editores que aprovam e publicam o conteúdo do site.

Um time tão grande de editores não poderia ser sustentavel sem um gordo investimento. São US$ 8 milhões. 2 milhões saídos do próprio bolso de Wettreich, e o restante proveniente da primeira rodada de investimento de risco. Entre os investidores Marcos cita os nomes de Bob Pittman, que criou a MTV em 1981, e de Bill Sahlman, professor da cátedra de empreendedorismo da Harvard Business School.

A participação do usuário aparece em outra área, no prêmio WeShow, que segue os passos do Ibest, onde os usuários votam nos conteúdos. O site tem ainda uma TV, com conteúdo próprio, onde VJs comentam os vídeos sobre diversos assuntos.

Na minha opinião, no Brasil o site deve ser um sucesso. Mas lá fora, concorrerá diretamente com agregadores que usam a participação dos usuários para gerar conteúdo, como o Digg e o Netscape. Aí a briga fica feia, porque eu sinto que estes últimos têm um potencial muito maior de gerar e manter uma comunidade do que o WeShow. E é bom lembrar que o YouTube foi comprado por causa da sua comunidade, não pela tecnologia.

Mas o WeShow é, sem dúvida, um trabalho executado de maneira excelente e com um enorme potencial neste novo mercado. Torço para que dê certo.

Saiba mais detalhes no release e no IDG Now.

Pornô-gráficos e estatísticas

Do blog do Luli:

Outro dia me pediram dados sobre o tamanho do mercado pornográfico na Internet. Pois eis uma pilha de dados chatérrimos, apresentadas com um design relevante para seu público.

Eu ia fazer um comentário bem relevante e interessante sobre os dados mostrados no vídeo mas não me lembro de nenhum número. Espero os comentários de vocês :)